Clínica Médica Dr. Emídio Carreiro & Dra. Margarida Souto

Morada : Avenida D. Manuel II nº 2070 7º Andar Sala 71 e 77 | 4470-334 Maia
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Nesta secção de FAQs poderá encontrar temas que o ajudarão a entender e tratar algumas situações clínicas frequentes. Os diferentes textos surgem na sequência de perguntas que nos são colocadas durante a prática de cada uma das especialidades da Clínica.

Sexualidade da criança pré-escolar: Masturbação - 1 Janeiro, 2017

           Sexualidade no pré-escolar: Masturbação

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O que é e como é praticada a masturbação no pré-escolar

A masturbação, que consiste na autoestimulação dos órgãos genitais com intenção de ter prazer é normal e praticamente universal. É um ato que vai além da simples manipulação exploratória dos órgãos genitais que todas as crianças vão fazendo.

Cerca de um terço de crianças terão esta prática em algum momento antes dos 5-6 anos. O pico surge pelos 4-5 anos e depois na adolescência.

Este tema é tabu mesmo quando estamos a falar de crianças. Mesmo depois de ter conhecimento da prática desta situação, os pais e cuidadores evitam a palavra masturbação.

É muito frequente nas crianças e pode ser praticada em qualquer idade, sendo muito raro antes dos 6 meses de idade.

Os movimentos mais frequentes consiste em esfregar as coxas uma na outra, com movimentos repetitivos quando estão de barriga para cima. Na situação de estarem de barriga para baixo é frequente colocarem as mãos, bonecos ou outros objetos e fazerem movimento sobres eles. O manuseio com a mão antes dos 2 anos não é espectável que aconteça. Outras situações práticas que poderão ocorrer consiste na estimulação por contacto nas pernas de cadeiras, descansa braços de sofá e nos mais novos com movimentos de fricção contra o arnês (cinto) das cadeiras de transporte no automóvel. Também acontece quando os progenitores brincam com a criança sentada no pé fazendo a habitual brincadeira de “cavalinho”.

Durante a prática masturbatória as crianças poderão ficar ensimesmadas, com calor, transpiração, rubor facial, respiração mais acentuada e com movimentos de flexão e extensão das pernas ou a serem pressionadas em tesoura uma contra a outra.

 

Fatores estimulantes

Não há causas médicas para esta prática.

É importante entender que é normal. Não dá qualquer indicação sobre comportamento futuro

Sabemos que aumentará a prática com o ócio e aborrecimento. A reprimenda ou castigo podem reforçar esta prática.

 

Atitude dos pais

Sendo uma situação na grande maioria dos casos normal, não deve ser objeto de reprimenda, castigo ou exposição vergonhosa. Continuarão a fazer às escondidas.

Não repreenda, pois pode agravar a prática como contestação.

Se parece que a desocupação pode estar presente, então entretenha a criança e motive-o para brincadeiras, jogos, etc., que ocupem o tempo.

É importante falar com as crianças, em linguagem adequada, explicando que a masturbação é uma atividade que não deve ser praticada em público, contudo a maioria das crianças pequenas não entende o conceito de público ou privado. Reafirme que as crianças devem respeitar o corpo dos outros e como tal não devem tocar ou ser tocados nas “partes intimas”.

 

Falar com o Pediatra.

Quando deverá consultar o pediatra?

– Prática compulsiva. Provocação de dor física.

– Alterações globais do comportamento

– Modificação na resposta a contactos corporais como o vestir, brincar etc. por parte dos pais ou cuidadores.

– Dúvidas sobre abusos sexuais. Simulação de atos sexuais de adultos.

 

Mitos sobre o que a masturbação pode causar:

– Deficiência intelectual

– Deformidade física

– Cegueira

– “espinhas” faciais

– Homossexualidade

– Perversões sexuais

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Revisto em 01|01|2017

Nota: Este texto não substitui o conselho médico. Procure sempre o conselho do seu médico.

Língua Geográfica. Informação por imagem - 30 Novembro, 2016

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                                              Língua geográfica. Informação por Imagem

 

A língua geográfica, também conhecida por glossite migratória benigna, é uma situação crónica e de etiologia (causa) desconhecida.

O nome advém do facto de transformar a língua “num mapa”.

Pode ocorrer em qualquer idade.

Carateriza-se pela perda das papilas filiformes, ficando um baixo-relevo eritematoso (avermelhado) com um bordo irregular esbranquiçado (ver imagens).

Estas lesões podem mudar de localização, de feitio e de dimensão em minutos/horas.

É uma situação benigna que muito raramente dá alguma queixa (sensação de queimadura ou corpo estranho).

Não necessita qualquer tipo de tratamento específico.

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Emídio Carreiro – Pediatra

 

Revisto em 01|11|2016

Nota: Este texto não substitui o conselho médico, diagnóstico ou tratamento. Procure sempre o conselho do seu médico.

Vacina contra a Febre-Amarela - 30 Outubro, 2016

 

                 VACINA CONTRA A FEBRE-AMARELA

 

 

A periodicidade da vacina contra a febre-amarela foi alterada.

Por alteração do Regulamento Sanitário Internacional 2015 referente à febre-amarela, a duração da vacina passou a ser vitalícia somente com uma única dose.

Assim, quem já fez alguma dose não necessita repetir.

 

 

Consulte:

https://www.dgs.pt/a-direccao-geral-da-saude/comunicados-e-despachos-do-director-geral/validade-da-vacina-contra-a-febre-amarela.aspx

Emídio Carreiro

30|10|2016

Traumatismo Craniano – Vigilância - 23 Outubro, 2016

                                  VIGILÂNCIA APÓS TRAUMATISMO CRANIANO

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Na sequência de um traumatismo craniano e depois da observação pelo médico, deverá ser mantida vigilância (por adulto responsável) de alguns sinais ou sintomas (24-48h), os quais, se surgirem, obrigam a uma nova observação médica num serviço de Urgência.

Brinque e converse com a criança num ambiente tranquilo para avaliar alguns dos sinais que deve vigiar, nomeadamente:

– Sonolência excessiva ou dificuldade em despertar. Atenção, não deve manter a criança acordada com esforço pois vai estar sonolenta, inquieta. Bastará avaliar neste caso se desperta facilmente cada 2-3h;

– Alteração do comportamento habitual, perda de consciência, confusão ou desorientação

– Dor de cabeça mantida ou de grande intensidade ou tonturas;

– Choro persistente ou irritabilidade;

– Vómitos (mais de 2-3 vezes);

– Convulsão ou movimentos anormais;

– Fala lentificada ou alterações da marcha;

– Aparecimento de um torcicolo (“pescoço torto”) ou debilidade ou adormecimento de qualquer membro;

– Alterações visuais: estrabismo (“trocar olhos”) ou assimetria das pupilas (“menina do olho”), visão dupla ou turva;

– Dificuldade em reconhecer pessoas conhecidas;

– Zumbido persistente;

– Aparecimento de sangue ou outro líquido pelo nariz ou ouvido.

-Além destes, qualquer sinal ou sintoma que considere anormal ou o preocupem será motivo para procurar auxílio médico.

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Paulo Coutinho – Pediatra

 

Revisto em 23|10|2016

Nota: Este texto não substitui o conselho médico, diagnóstico ou tratamento. Procure sempre o conselho do seu médico.

Obstrução do Canal Lacrimal -

                                           OBSTRUÇÃO DO CANAL LACRIMAL

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O sistema lacrimonasal é formado pelas glândulas lacrimais responsáveis pela produção de lágrimas e pelo sistema de eliminação com os canalículos e saco coletor que drenam as lágrimas para o interior do nariz (Figura 1). Na extremidade deste sistema de drenagem existe uma “válvula” (Hasner) que impede o refluxo de ar do nariz para o olho.

A obstrução do canal lacrimal ocorre muito frequentemente no recém-nascido (6%) provocando lacrimejo, “vermelho” na parte branca dos olhos, crostas nas pálpebras “corrimento” persistente de secreções.

Esta situação é benigna e resolve-se sem necessidade de intervenção médica na grande maioria dos casos até aos 6 meses de idade. O que os pais devem fazer, para ajudar na mais rápida resolução, é uma massagem suave do canal lacrimal no sentido descendente durante 2-3 segundos 2-3 vezes/dia (Figura 2). Se a resolução não ocorrer até aos 6 meses, deverá ser observado por oftalmologista que fará a orientação que entender, podendo consistir numa sondagem das vias de eliminação das lágrimas.

Sinais de infeção do canal lacrimal: Tumefação (inchaço), vermelhidão, dor, calor nesse local e drenagem de pus. Esta situação precisa de observação médica pois irá provavelmente necessitar de tratamento local com antibióticos ou noutra forma de administração

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Emídio Carreiro – Pediatra

Revisto em 23|10|2016

Nota: Este texto não substitui o conselho médico, diagnóstico ou tratamento. Procure sempre o conselho do seu médico para lhe ser explicada a forma correta de fazer a massagem.

Conservação do Leite Materno - 16 Outubro, 2016

                                                  Conservação do leite materno

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A conservação do leite materno no frio pode ser efetuado em diferentes compartimentos.

O tempo de validade está dependente das temperaturas do local de armazenamento e dos cuidados de higiene utilizados na colheita (muito importante).

Após várias pesquisas em sociedades e sites científicos aconselho a conservação do leite, de acordo com a tabela em baixo.

.

Local de conservação Tempo de validade
Leite extraído á temperatura ambiente 25-27ºC – 4h

< 25ºC 4-8h

Descongelado no frigorífico 24h
Descongelado imediato

(recurso a água quente)

Uso imediato
Frigorifico

(fundo da 1ª prateleira)

3-8 dias
Congelador com porta separada

(Frigorifico Combinado -18ºC)

3-6 meses
Arca Frigorífica (-/20ºC ou + baixo) 9-12 meses

 

Alguma bibliografía de apoio:

Uptodate: Patient education: Pumping breast milk (Beyond the Basics) (05-10-2016)

AAP: Tips for Freezing & Refrigerating Breast Milk – HealthyChildren.org

DGS: http://www.saudereprodutiva.dgs.pt/aleitamento-materno/folhetos-de-apoio.aspx

 

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Revisto em 08|10|2016

Nota: Este texto não substitui o conselho médico, diagnóstico ou tratamento. Procure sempre o conselho do seu médico.

Vacinação da grávida contra a Tosse Convulsa - 5 Outubro, 2016

          Vacinação da grávida contra a Tosse Convulsa

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A vacina da tosse convulsa foi introduzida no Plano Nacional de Vacinação em 1965.

A vacina é administradas aos 2, 4, 6 meses de idade, com reforço aos 18 meses e 5 anos de idade,

A vacinação da grávida confere proteção do bebé até aos 2 meses de idade, altura em que inicia a vacinação. Esta proteção resulta da passagem de anticorpos pela placenta.

A maioria dos casos de tosse convulsa e óbito por esta doença ocorre nos 2 primeiros meses de vida.

A Direção Geral da Saúde (DGS) recomenda:

-A vacinação durante a gravidez contra a tosse convulsa entre as 20 e as 36 semanas de gestação. Idealmente até às 32 semanas

– A vacinação deve ocorrer após a ecografia morfológica (recomendada entre as 20 e as 22 semanas + 6 dias).

– A vacina da tosse convulsa é administrada (braço esquerdo) numa única dose de vacina combinada contra a tosse convulsa, o tétano, e a difteria (Tdpa),

– A vacina comercializada em Portugal é a Boostrix®

– A vacina necessita de prescrição pelo médico.

No Reino Unido, vários estudos mostraram que a efetividade da vacinação da grávida na prevenção da tosse convulsa no pequeno lactente foi superior a 90%.

Segundo a DGS refere na Orientação nº 002/2016 de 15/07/2016 atualizada a 08/08/2016, “Os estudos efetuados demonstram que a vacinação da grávida é segura, nomeadamente sem risco aumentado de morte fetal, aborto espontâneo, prematuridade, pré-eclampsia ou eclampsia.”

 

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Revisto em 05|10|2016

Nota: 1– Este texto não substitui o conselho médico, diagnóstico ou tratamento. Procure sempre o conselho do seu médico.

2Texto elaborado com base na orientação da DGS: Orientação nº 002/2016 de 15/07/2016 atualizada a 08/08/2016.

 

Escolha da Creche / Infantário - 6 Março, 2016

Algumas questões a considerar na escolha da Creche

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1 Creche Licenciada?

Aprovação das várias entidades (Bombeiros, Câmara, SS…)?

2 Distância da residência/local de trabalho
3 Valor da mensalidade
4 Peça uma entrevista com a Diretora/Educadora. Pergunte e avalie bem as respostas.
5 Qual a relação nº crianças/nº de adultos
6 A equipa da sala há quanto tempo trabalha?
7 Os adultos têm a Curso de Suporte Básico de Vida Pediátrico? Com que frequência o revalidam?
8 Os adultos têm a Formação sobre Engasgamento? Com que frequência o revalidam?
9 A zona de jogos/atividades é ampla?
10 Observe os espaços físicos e a higiene
11 Observe as regras básicas de segurança
12 São feitos simulacros de incêndio?
13 A creche tem plano de Emergência definido?
14 E se o seu filho necessitar de fazer medicação?
15 Têm frigorífico para medicação?
16 Procedimentos para a criança doente regressar
17 Peça a cópia da ementa semanal
18 E se a criança tiver alimentação “especial”? Que cuidados de “contaminação” com outros alimentos?
19 Tem Pediatra Consultor?
20 Calendário de reuniões com pais. Que tipo de reuniões fazem. Formativas? Informativas?
21 Qual a participação da família na vida da instituição?
22 Como é feita a transmissão do ocorrido durante o dia?
23 O que dizem sobre essa instituição
24 Que atividades extra disponibiliza?

Farinha de Pau de peixe (ou frango, perú…) - 2 Janeiro, 2016

FARINHA DE PAU DE PEIXE (frango, perú,…)

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Ingredientes (para 1 refeição):         15g de pescada, linguado ou solha (fresco ou congelado)

2 colheres de sopa de farinha de pau

½ cebola pequena ou alho francês q.b.

1 dente de alho

1 raminho de salsa fresca

1 colher chá de azeite

 

Preparação:    Coza o peixe em água temperada com o dente de alho e um raminho de salsa. Quando o peixe estiver cozido, reserve a água, retire as peles e as espinhas e desfie.

À parte, faça um refogado muito leve com o azeite e um pouco de cebola ou alho francês (só a parte branca) cortado em rodelas muito fininhas. Adicione ao refogado a água de cozer o peixe, previamente coada.

À parte, desfaça 2 colheres de sopa de farinha de pau num pouco de água. Adicione esta mistura ao refogado, mexendo sempre para não criar grumos, e mantenha o lume brando durante cerca de 2 minutos para que a farinha fique bem cozida. Por fim, acrescente o peixe desfiado e um raminho de salsa fresca acabada de picar. O objetivo é obter um preparado cremoso, pelo que se for necessário, adicione mais um pouco de água coada de cozer o peixe. Não adicione sal! Sirva morno.

 

 

NOTA: Pode substituir o peixe por frango, perú ou coelho. A quantidade de carne a adicionar é a mesma: 15g limpos de peles e gorduras visíveis. Terá de picar a carne previamente ou cortar em pedacinhos muito pequeninos de acordo com a idade do bebé.

 

 

Inês Tomada – Nutricionista

Revisto em 02|01|2016

AÇORDA de Peixe, Frango, Perú.. com Legumes -

AÇORDA DE PEIXE ou Frango ou Perú ou Coelho com LEGUMES         

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Ingredientes (para 1 refeição):         15g de pescada, linguado ou solha (fresco ou congelado)

1 pão de mistura (de preferência da véspera)

½ cenoura pequena ralada

2 rodelas finas de curgete

1 dente de alho

1 raminho de salsa ou coentros frescos

1 colher de chá de azeite

 

Preparação:    Refogue levemente o alho francês e o alho em azeite. Retire o alho, junte os outros legumes e o peixe previamente cozido, já desfiado e sem peles nem espinhas. Deixe refogar um pouco, e adicione um pouco de água. Quando os legumes estiverem cozidos, adicione o pão aos pedacinhos. Deixe cozer em lume brando até o pão estar bem amolecido. Pique a salsa ou os coentros, e junte ao preparado. Deixe levantar fervura. Passe tudo com a varinha mágica ou esmague com o garfo dependendo da idade do bebé. Não adicione sal! Sirva morno.

 

NOTA: Pode substituir o peixe por frango, perú ou coelho. A quantidade de carne a adicionar é a mesma: 15g limpos de peles e gorduras visíveis. Terá de picar a carne previamente ou cortar em pedacinhos muito pequeninos de acordo com a idade do bebé.

 

 

Inês Tomada – Nutricionista

Revisto em 02|01|2016

AÇORDA de GEMA de OVO -

AÇORDA com Gema de Ovo                    Download PDF

  

Ingredientes (para 1 refeição):         1 gema de ovo

1 pão de mistura (de preferência da véspera)

1 dente de alho

1 raminho de salsa fresca

1 colher de chá de azeite
Preparação:    Ferva um pouco de água com a salsa e o dente de alho, durante alguns minutos. Retire o alho e a salsa, e demolhe o pão em pedaços. Adicione o azeite e desfaça o pão com um garfo. Certifique-se que o pão está todo demolhado. Quando o pão estiver desfeito adicione a gema de ovo previamente batida com um pouco da água do refogado, e envolva. Deixe cozer mexendo sempre. Não adicione sal! Sirva morno.

 

 

Inês Tomada – Nutricionista

 

Revisto em 02|01|2016

 

“Sapinhos /farfalho” – Candidíase Oral - 15 Novembro, 2015

 Sapinhos/farfalho – Candidíase oral     

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A candidíase oral, provocada pelo fungo Candida albicans, é habitualmente conhecida como «sapinhos» ou «farfalho».

Consiste em placas esbranquiçadas (parecem restos de leite) no interior das bochechas, gengivas e parte interna dos lábios (ver imagens).

É uma situação incomodativa e poderá afetar o tubo digestivo e região perineal, bem como os mamilos das mães que amamentem. Não se «apanha» de ninguém, representando uma proliferação excessiva de um fungo que habita normalmente o tubo digestivo.

Nos 2-3 primeiros meses de vida há uma produção menor de saliva que associada à acumulação de restos de leite, favorece o crescimento deste fundo.

Pode muito raramente estar associada a situações de baixa das defesas do organismo, na diabetes e em crianças que usem corticoides inalados em que se esqueça de lavar a boca posteriormente.

A candidíase perineal também é frequente em idades posteriores.

As crianças que manipulam frequentemente os órgãos genitais, poderão com facilidade transportar o fungo para a boca.

O tratamento consiste na aplicação, com o dedo, de pequenas quantidades de gel antifúngico nas zonas atingidas. Poderá também colocar pequena quantidade na chupeta e/ou mamilo, de acordo com as recomendações do seu pediatra.

 

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Paulo Coutinho – pediatra

Revisto em 15|11|2015

Nota: Este texto não substitui o conselho médico, diagnóstico ou tratamento. Procure sempre o conselho do seu médico.

Aumento de peso na GRAVIDEZ - 27 Setembro, 2015

Aumento de peso na GRAVIDEZ

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A gravidez é um dos períodos da vida da mulher em que a alimentação assume particular importância. Uma alimentação de elevada qualidade nutricional e em quantidades adequadas, é determinante para o crescimento e desenvolvimento harmoniosos do bebé, assim como para a prevenção de complicações durante a gravidez e o parto. O atraso de crescimento intrauterino, o risco de desenvolvimento de diabetes gestacional, de hipertensão e de parto prematuro, são apenas alguns exemplos das consequências de uma alimentação excessiva ou insuficiente durante a gravidez. Para além disso, uma alimentação equilibrada é essencial para que os sintomas característicos da gravidez, como a fadiga, as náuseas matinais, a obstipação e a azia, possam ser evitados ou, pelo menos, minimizados.

Uma das preocupações da futura Mamã é o aumento de peso durante a gravidez. Esta é uma preocupação legítima já que, quer o ganho de peso insuficiente, quer o ganho de peso muito rápido e excessivo, são prejudiciais à saúde da grávida e do bebé! Não são raros os casos em que a mulher durante os primeiros meses de gravidez apresenta já um ganho de peso considerável. Ora perante uma situação como esta, há que desdramatizar, mas consciencializar a futura mamã para o fato da gravidez não ser o momento oportuno para a adoção de dietas restritivas e baixas em calorias para perder peso (nem para o manter!). Se o fizer, a grávida não só ficará debilitada, como estará a condicionar o desenvolvimento fetal, nomeadamente do sistema nervoso, com risco de baixo peso ao nascer, ou mesmo prematuridade. Para além disso, quer a produção quer a qualidade do leite materno que irá oferecer ao seu filho estará comprometida. Assim, tal como engordar demasiado na gravidez não é sinal de saúde, querer manter-se magra a qualquer custo também não é!

É consensual que o ganho de peso durante a gestação deva ocorrer de forma lenta e progressiva, sendo mais significativo a partir do 2º trimestre e de acordo com o peso prévio à conceção, tal como recomendado pelo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável e Nutrição na Gravidez da Direção Geral de Saúde (2015). Na tabela abaixo, poderá ser consultado qual o aumento de peso ideal durante a gravidez, bem como o ganho de peso semanal durante o 2º e 3º trimestre.

 

Peso antes de engravidar Aumento de peso recomendado

durante a gravidez

Ganho de peso por semana

no 2º e 3º trimestres

Baixo peso 12,5 a 18 kg 0,5 kg
Normal 11,5 a 16 kg 0,4 kg
Excesso de peso 7 a 11,5 kg 0,3 kg
Obesidade 5 a 9 kg 0,2 kg

 

A adequação e orientação nutricional durante a gestação, respeitando as características de cada mulher, e dando prioridade máxima ao aporte de energia e nutrientes ao feto para que este se desenvolva na sua plenitude, são fundamentais para uma gravidez saudável!

 

Inês Tomada – Nutricionista

 

 

Revisto em 27|09|2015

Nota: Este texto não substitui o conselho do seu profissional. Procure sempre o conselho do seu nutricionista e do médico.

ÁCAROS: Algumas medidas preventivas - 12 Setembro, 2015

                                ÁCAROS: Algumas medidas preventivas

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Os ácaros são microrganismos que vivem no pó doméstico encontrando-se em toda a habitação, especialmente, nas zonas quentes e húmidas como o quarto/cama.

A alergia aos ácaros mantem-se todo o ano, sendo contudo mais acentuada no Outono e Inverno.

Os ácaros são a principal causa de alergia respiratória.

Ao dormir sobre o colchão libertamos minúsculas partículas de pele que se libertam por descamação (renovação constante) e servem de alimento para os ácaros.

Apesar do quarto ser o lugar mais propício ao seu desenvolvimento, não podemos esquecer os cuidados com toda a habitação.

Descrevemos algumas medidas para diminuir o número de ácaros e a exposição das crianças alérgicas, quer seja do ponto de vista pulmonar, nasal ou cutâneo.

Não pretendemos que a criança habite e durma num espaço vazio, mas sim, dar algumas indicações com vista a diminuir a exposição, evitando tudo o que mais acumula ou facilita o crescimento dos ácaros.

  • Usar coberturas adequadas anti ácaros para o colchão e almofadas (poderá adquirir em farmácias ou lojas de produtos médicos).
  • Usar almofada de fibra (poliuretano), nunca usar lã, penas ou sumaúma.
  • Colchão: Evitar os de molas, por serem ocos e facilitarem o crescimento dos ácaros, escolhendo o de fibra sintética (esponja, de látex ou viscoelástico)
  • Não usar lençóis de flanela ou cobertores.
  • Usar edredons de material sintético.
  • Evite tapetes ou carpetes e principalmente com pelo alto
  • Não use reposteiros, preferindo cortinas e de fácil lavagem.
  • Limpar com frequência as persianas
  • Manter o quarto bem ventilado. Evitar temperaturas superioras a 20-22ºC
  • Reduza a humidade da habitação, principalmente do quarto (poderá utilizar desumidificador), se possível para menos de 50%.
  • Evitar estantes com livros. Todas as estantes devem ter sistema para afastar facilmente da parede facilitando a limpeza. Não esquecer de ter um sistema seguro para evitar a sua queda.
  • Os móveis devem ser lisos e de fácil limpeza.
  • Evitar acumular no quarto as diversas aparelhagens que as crianças habitualmente possuem, livros, caixas de CDs, etc..
  • Os brinquedos de peluche devem ser evitados e se mesmo conhecendo os riscos pretender comprar algum, então deverá optar por brinquedos de pelo curto e de fácil lavagem. Se tem brinquedos com pelos e com grande ligação afetiva à criança, lave-os frequentemente e uma vez/semana coloque dentro de um saco plástico fechado e deixe durante a noite no congelador. Lave-o de manhã para retirar os ácaros mortos pela congelação.
  • Ao limpar os móveis use um pano húmido para “apanhar” o pó.
  • Use um aspirador com filtro de partículas de alta potência (HEPA) para “aprisionar” os ácaros. O verdadeiro filtro HEPA deverá ter um sistema fechado que não permita a reentrada de pó no aspirador e deverá eliminar 99,7% das partículas com dimensão igual ou superior a 0,3 micrómetros (micras). Verifique com cuidado as caraterísticas do aspirador no ato da compra.
  • Evitar fazer limpezas com a criança em casa.
  • Evite varrer ou sacudir panos/roupas com a criança em casa.
  • Se vai fazer grande limpeza na casa e também tem alergia a ácaros, deverá usar uma máscara.
  • Evite flores desidratadas/plásticas que são difícil limpeza.
  • Lavar a roupa da cama com água quente (> 60ºC) uma vez por semana. A lavagem a seco é um método alternativo.
  • Se tiver ar condicionado lave o filtro pelo menos uma vez/mês ou de acordo com as indicações do fabricante.
  • Evitar o uso de inseticidas, ambientadores e fumo de tabaco.
  • Se vai para uma casa desabitada deve areja-la e ventila-la muito bem á chegada. Faça a cama com roupa que não tenha estado muito tempo guardada (o ideal é levar roupa). Se usar saco cama deve ser de acrílico e reversível, para ir mudando em dias alternados, pois o saco cama com uma criança dentro tem os 3 importantes componentes para crescimento dos ácaros – humidade, calor e restos de pele.
  • Evite os animais em casa, principalmente os que largam mais pelo (cão e gato). Se já existe um animal em casa, deve tomar todas as medidas para minimizar o contacto com pelos/caspa do animal, nomeadamente evitando a entrada no quarto da criança e sobretudo impedindo a sua permanência na cama.
  • Roupas com enchimento de penas ou golas de pelo não são recomendáveis, mesmo com lavagens frequentes.

Todas estas medidas visam diminuir a exposição aos ácaros, mas juntamente com o seu médico avaliará outras eventuais medidas de evicção assim como o possível tratamento medicamentoso.

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Revisto em 12|09|2015

Nota: Este texto não substitui o conselho médico, diagnóstico ou tratamento. Procure sempre o conselho do seu médico.

Banho depois de comer? - 8 Setembro, 2015

                                Banho depois de comer?

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O banho, com água próxima da temperatura corporal (36-37ºC), pode ser tomado em qualquer altura pós-refeição.

A ideia da ‘congestão’ como consequência do banho pós-prandial tem que ver com temperaturas baixas da água, causando um “choque térmico”. Nesta situação grandes refeições aumentam o risco.

Não esquecer contudo, que brincadeiras intempestivas ou manobras que aumentem a pressão abdominal ou coloquem a criança com o tórax/cabeça mais baixa que o abdómem, aumentam o risco de vómito/regurgitação.

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Paulo Coutinho – Pediatra

Revisto em 04|08|2015

Nota: Procure sempre o conselho do seu médico.

Legionella de novo? Doença dos Legionários - 6 Setembro, 2015

 

               Legionella de novo? Doença dos Legionários

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O nome Doença dos Legionários surgiu em 1976, pelo facto de uma grande quantidade de legionários idosos, que tinham estado numa conferência em Filadelfia (Estados Unidos da América), terem adquirido pneumonia devido a uma bactéria identificada pela primeira vez e “batizada” de Legionella pneumophila.

 

Até hoje ainda não foi demonstrado o contágio da doença de homem a homem.

 

Sendo a bactéria uma “habitante” da água doce ambiente, principalmente em água estagnada e a temperaturas entre 25 a 42ºC, a infeção fica assim relacionada com:

– Grau de contaminação da água (mais ou menos bactérias) e da sua virulência (capacidade de infetar mais agressivamente – existem vários espécies e serotipos de Legionella)

– A formação de aerossóis pela água contaminada e o tempo de exposição: Chuveiros, humidificadores, nebulizadores, instalações de ar condicionado, termas, piscinas, jacuzzis, sistemas de rega, fontes decorativas interiores ou de jardins ou parques/jardins públicos e torres de arrefecimento, entre outros.

– Caraterísticas facilitadoras do hospedeiro: idade superior a 50 anos, hábitos tabágicos ou alcoólicos, diabéticos ou insuficientes renais, doenças pulmonares crónicas, doentes oncológicos ou transplantados.

 

Período de Incubação: 2 a 10 dias após o contacto com a bactéria

 

Manifestações clínicas: Pneumonia (forma mais grave) e síndrome gripal (Febre de Pontiac). Febre, arrepios, tosse, dores de cabeça, dores musculares, dores articulares, dispneia-sensação de falta de ar, diarreia e vómitos, dor torácica e mesmo alterações do estado de consciência.

 

Os exames laboratoriais para o diagnóstico preciso da Legionella pneumophila  não se fazem por “rotina”. Os sinais e sintomas são idênticos aos provocados por outros agentes infeciosos

 

Prevenção:

–  Como não é transmitida de pessoa a pessoa o isolamento não é necessário. Poderão fazer visitas a doentes no hospital ou domicílio.

– Desinfeção dos sistemas de fornecimento de água, principalmente nos hospitais, sistemas de fornecimento de água à população, depósitos de grandes edifícios e grandes produtores de aerossóis

– Uso de máscaras apropriadas para esta situação, pelos trabalhadores das referidas instalações.

 

Em 2 a 8% dos casos de pneumonias adquiridas na comunidade, de acordo com vários estudos, a bactéria responsável é a Legionella.

A percentagem nas crianças é menor, possivelmente pelo facto dos principais fatores de risco dos hospedeiros não estar presente (idade, tabaco, doenças pulmonares crónicas, etc.).

 

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Revisto em 06|09|2015

Nota: Este texto não substitui o conselho médico, diagnóstico ou tratamento. Procure sempre o conselho do seu médico.

Mochila: Como escolher e usar - 29 Agosto, 2015

  Mochila: Como escolher e usar

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As mochilas são uma ótima opção para transportar os livros. Mochilas muito pesadas ou usadas incorretamente são causa frequente de dores, nomeadamente nas costas, ombros e pescoço.

A escolha e uso da mochila deverá ter em conta os seguintes parâmetros:

– Ser leve

– Duas alças largas e acolchoadas no apoio de ombros

– Superfície que apoia nas costas deverá ser acolchoada para diminuir a pressão dos objetos transportados.

– Um cinto que eventualmente possa ser apertado para diminuir a carga sobre os ombros.

– Andar sempre com as duas alças nos ombros e bem ajustadas, diminuindo assim as dores de ombros e coluna.

– Distribuir o peso, colocando as coisas mais pesadas no fundo

– Tamanho da mochila: as alças devem ser ajustadas, de modo a que o fundo da mochila fique 5 cm acima da cintura.

– Quanto maior a mochila, mais “coisas” metem lá dentro, mais soltas ficam e mais pesada fica.

– O peso na mochila não deve ultrapassar 10-15% do peso da criança.

– Também poderá optar por mochila com rodas.

 

A mochila vai ser usada muitas vezes e possivelmente mais do que um ano.

Invista numa boa mochila

Bom início de aulas….

 

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Revisto em 29|08|2015

Informação por Imagem: Risco elétrico-Proteção de tomadas - 21 Agosto, 2015

               Informação por Imagem: Risco elétrico – Proteção de tomadas

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Como todos os cuidados são poucos, aqui fica um conselho para prevenção de choque elétrico.

As tomadas devem estar protegidas.

1- Existem alguns sistemas que se colocam nos alvéolos, o que já é alguma proteção mas obriga a ter uma atitude ativa. Sempre que usamos a tomada, necessitamos de colocar novamente a proteção. No dia em que nos esquecemos é quando a criança vê os alvéolos como uns “olhinhos” de boneco e vai tentar meter o dedo ou mais grave colocar algum objeto metálico. Muitos pais já tiveram esta horrenda experiencia. Este risco começa logo que iniciam o gatinhar, em que a tomada fica exatamente no seu horizonte visual (Imagem 1-a).

2- Há outros sistemas que colocados na tomada obrigam a fazer um movimento de rotação para poder introduzir os pinos da ficha. Presentemente a ficha macho de quase todos os aparelhos elétricos têm fio terra, com pinos mais grossos, o que leva ao fim de algum tempo à deterioração deste sistema de proteção. Mas também já representa uma proteção (imagem 1-b).

Imagem1

 

3- Um outro sistema, que considero o mais adequado e eficaz, sempre presente e sem necessidade de termos qualquer ação, são as tomadas com alvéolos protegidos. O sistema só abre se pressionarmos os 2 alvéolos ao mesmo tempo como acontece ao introduzir a ficha. Experimentem introduzir a ponta de uma esferográfica só num alvéolo e verificam que ele não “abre”.

a) As tomadas de parede podem ser substituídas por tomadas com alvéolos protegidos. Para tal basta solicitar a um eletricista, ou a quem tenha aptidão para bricolage, a substituição da tomada (imagem 2). Se tivermos estas tomadas protegidas, depois de tocar uma ou duas vezes a criança perde o interesse, pois não obtém “resposta” de qualquer género. Quando estiverem noutra casa, onde as tomadas não estejam protegidas, com muito menos probabilidade irão mexer pois perderam a curiosidade exploratória deste “brinquedo”.

b) Existem igualmente extensões e triplas com este sistema de proteção (imagem 2).

Imagem 2

Emídio Carreiro – Pediatra

Revisto em 21|08|2015

Nota: Este texto não substitui outros conselhos do seu médico ou outro expert.

Informação por imagens – Acantose Nigricans - 15 Agosto, 2015

 

Acantose Nigricans

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A acantose nigricans é uma coloração hiperpigmentada e de textura aveludada da pele, que aparece frequentemente no pescoço, axilas, virilhas e pregas infra-mamárias, podendo ainda aparecer noutros locais nomeadamente nas mucosas. Pode surgir em qualquer idade.

Acantose Nigricans imagem

 

Por vezes é encarada como sendo “sujidade” de difícil lavagem.

A acantose nigricans surge em crianças associada a várias situações, sendo a principal causa o excesso de peso ou obesidade e a diabetes.

A presença destas lesões obriga a avaliação pelo seu médico que decidirá a orientação.

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Paulo Coutinho – Pediatra

Revisto em 15|08|2015

Nota: Este texto não substitui o conselho médico, diagnóstico ou tratamento. Procure sempre o conselho do seu médico.

 

Informação por imagem – Hematoma de erupção dentária - 4 Agosto, 2015

 

Hematoma de erupção dentária 

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Informação por imagem – 2

Hematoma Erupção sem o meu nome

 

A erupção dos dentes pode provocar o aparecimento de um hematoma nas gengivas.

Esta situação não coloca qualquer problema, pois desaparece com o romper dos dentes.

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Paulo Coutinho – Pediatra

Revisto em 04|08|2015

Nota: Este texto não substitui o conselho médico, diagnóstico ou tratamento. Procure sempre o conselho do seu médico.

Informação por imagem – Calo de sucção - 2 Agosto, 2015

Calo sucção

O calo de sucção surge em consequência da fricção do lábio superior com o mamilo ou tetina do biberão.

Não é doloroso. Cairá sem  necessidade de manipulação.

 

Emídio Carreiro – Pediatra

02|08|2015

Voadores / Andarilhos. SIM ou Não ? -

 

                                     Voadores/ Aranhas/ Andarilhos

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Os voadores não devem ser utilizados.

A ideia de que os voadores antecipam a idade da marcha é um mito.

Na verdade, os voadores:

  • Aumentam o risco de queda em escadas. Quadruplicam este risco e aumentam muito o número e gravidade das fraturas;
  • Aumentam o número de afogamentos em piscinas;
  • Aumentam o número de intoxicações. Com mais probabilidade e rapidez as crianças conseguem obter medicamentos colocados em cima de mesas, cadeiras e principalmente mesinhas de cabeceira;
  • Aumentam a probabilidade de queimaduras e a sua gravidade. Com mais facilidade as crianças puxam toalhas de mesa, panelas do fogão e com mais rapidez chegam a aquecedores ou lareiras/recuperadores;
  • Diminuem o estímulo/esforço de bebé e não favorecem o desenvolvimento psicomotor. O desenvolvimento ocorre por etapas, que poderão ser em idades diferentes para cada criança. Devemos estimular a criança a adquirir essas competências e não a ultrapassar etapas.

Os acidentes ocorrem frequentemente “debaixo do nosso olhar”, muitas vezes na nossa própria casa. A rapidez com que acontecem não nos permite ter a destreza de os evitar sempre.

Os voadores com travões de rodas devem igualmente ser evitados, pois representando uma segurança que necessita da nossa atividade seguramente nos esqueceremos de os travar em algum momento. Mesmo os que têm o sistema anti queda de escadas não são por nós recomendados.

Como alternativa apontamos:

  1. Os centros de atividade estáticos, com cadeiras rotativas que permitem explorar todo o ambiente. Deverão ter uma base larga para mesmo assim diminuir o risco de queda com a inclinação e baloiço do corpo da criança. Mesmo nestes centros a criança deverá estar por curtos períodos.
  2. Parques amplos. Estes permitem à criança usar as suas capacidades no gatinhar, levantar e andar. Nestes parques deverão ser usados brinquedos moles. Também aqui a criança poderá olhar para todos os lados.

Em todas as comunidades profissionais de saúde são desaconselhados estes dispositivos, chegando mesmo no Canadá a ser proibida a sua publicidade e comercialização.

Para quando a sua proibição na Europa?

Concluímos que os voadores, mesmo com todas as melhorias que têm sido instituídas, não têm vantagens e como tal deve ser evitados.

 

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Paulo Coutinho – Pediatra

Revisto em 02|08|2015

Nota: Este texto não substitui o conselho médico. Procure sempre o conselho do seu médico.

 

Verrugas – “cravos” - 8 Junho, 2015

 

Verrugas

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Qual é a causa das verrugas?

Os papilomavirus humanos (HPV), ao contrário do que acontece com a generalidade dos vírus, em vez de destruírem as células da pele, provocam a sua multiplicação, daí podendo resultar tumores.

Os HPV são responsáveis por um espectro variado de doenças, desde as verrugas, muitas vezes conhecidas por cravos, até por exemplo os cancros da laringe e do colo do útero.

 

Em que circunstâncias são mais frequentes?

As verrugas são raras na infância, atingindo um pico de incidência (5 a 10%) entre os 12 e os 16 anos.

Em situações de baixa das defesas do organismo as verrugas podem ter uma expressão muito marcada e de difícil tratamento.

Como crianças abusadas sexualmente podem apresentar verrugas nas áreas genitais, é obrigatório um esclarecimento sereno desta possibilidade, complementando sempre com outros dados da avaliação clínica (alterações comportamentais, do sono, fobias, etc). No entanto, a maior parte das verrugas que aparecem nas áreas genitais nas crianças resultam de auto-inoculação (transmissão incidental a partir das verrugas vulgares do próprio) ou de contágio intra-familiar, não sendo consequência de abuso sexual.

 

Como ocorre o contágio?

O contágio ocorre através de contacto direto com pessoas com verrugas ou indiretamente através de objetos contaminados e também por auto-inoculação.

O período de incubação é muito longo, que pode chegar aos 20 meses (média de 4 meses).

 

Como se manifestam?

Diferentes tipos de HPV estão associados a padrões clínicos específicos:

  • As verrugas vulgares (habitualmente provocadas pelos HPV tipo 2 e 4) localizam-se maioritariamente nos dedos e dorso das mãos, em redor das unhas e nos joelhos e cotovelos, manifestando-se como saliências arredondadas independentes, com uma consistência dura e um aspeto rugoso, sem sintomas locais acompanhantes, exceto na localização em redor das unhas, que é habitualmente dolorosa;

 

 

 

  • As verrugas plantares (HPV tipo 1) crescem para dentro da planta do pé por efeito da pressão aplicada pelo peso do corpo, traduzindo-se por áreas endurecidas e rugosas da pele da planta do pé que alteram a sua textura habitual (ao contrário dos calos, que são apenas um engrossamento macio da pele como consequência da aplicação de uma pressão ao longo do tempo, por exemplo, por sapatos apertados) que são dolorosas muitas vezes;

 

 

 

  • As verrugas planas (HPV tipo 3 e 10), traduzem-se por várias saliências pequenas e lisas (difíceis de visualizar), de cor da pele ou levemente acastanhadas, sobretudo localizadas à face e extremidades (são facilmente confundidas com «sinais»);
  • As verrugas venéreas ou condilomas acuminados (pelos HPV tipo 6 e 11) são múltiplas saliências carnudas e húmidas que aparecem na área genital que por vezes se fundem num aspecto de couve-flor.

 

Prevenção

Provavelmente as verrugas são contagiosas enquanto existirem.

Não está indicada a evicção escolar, devendo-se, por precaução, sempre que possível, tapar as lesões.

Saliente-se a existência atualmente de vacinação disponível no adolescente/adulto contra a infeção pelos HPV tipo 6, 11, 16 e 18, evitando-se as suas consequências clínicas, a qual deve ser discutida com o seu médico assistente.

 

Opções terapêuticas

Não existe um tratamento universal eficaz para as verrugas.

Também é importante salientar que a cura da maior parte das verrugas exige mais do que um único tratamento.

Como cerca de 65% das verrugas desaparecem espontaneamente ao fim de 2 anos (promessas a S. Bento da Porta Aberta?), é possível as famílias decidirem aguardar sem realizar tratamento; no entanto, não há garantias de que assim aconteça, ou mesmo as verrugas não se espalhem e cresçam, incluindo para localizações que coloquem maiores dificuldades terapêuticas.

Devemos escolher sempre o método menos doloroso possível em função da idade.

Podemos recorrer à aplicação na pele de produtos (método lento mas tendencialmente indolor) que vão destruindo progressivamente as verrugas ou estimulando as defesas do organismo contra elas até todas as células infetadas pelos HPV serem eliminadas. Este processo pode demorar semanas a meses para ser eficaz. Deve-se proteger sempre a pele sã em redor da verruga, para evitar «queimaduras».

 

 

 

A crioterapia, que consiste na aplicação local de uma temperatura de -195°C que também vai provocar a destruição das células das verrugas é um método usado pelo dermatologista no consultório, com intervalos aproximados de 1 mês entre aplicações, com a vantagem de ter a mais baixa taxa de recorrência de todas as opções terapêuticas (cura de 90% das verrugas após 2 tratamentos), sendo contudo a mais dolorosa.

É muito importante realçar que todos os tratamentos que provoquem hemorragia local, podem contribuir para espalhar a infeção e devem ser evitados.

No quadro abaixo, esquematizam-se algumas propostas individualizadas de opções terapêuticas:

 

 

Verrugas vulgares Crioterapia/ terapêutica cito-destrutiva
Verrugas filiformes Crioterapia
Verrugas planas Tretinoína tópica (como na acne)
Imunodeficiência Crioterapia
Verrugas venéreas Crioterapia ou imiquimod
Verrugas plantares Curetagem+crioterapia/t. citodestrutiva

 

 

Paulo Coutinho – Pediatra

Emídio Carreiro – Pediatra ( www.emidiocarreiro-pediatra.pt)

 

Revisto em 08/6/2015

Nota: Este texto não substitui o conselho médico, diagnóstico ou tratamento. Procure sempre o conselho do seu médico.

Qeratose Pilar – “Pele de galinha” - 1 Junho, 2015

 Queratose Pilar – “Pele de galinha”

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São vulgares queixas respeitantes ao aparecimento de rugosidades nas faces laterais da cara, dos braços e das coxas ou nádegas, por vezes associadas a algum eritema (pele vermelha) em seu redor, durante o período da infância e da adolescência.

É aquilo que coloquialmente se designa por «pele de galinha».

Individualmente, cada «pico» corresponde a um conjunto de queratina nascido no orifício dos folículos pilosos (raízes dos pelos).

Uma variante acompanha-se também da presença de telangiectasias (vasos dilatados), sobretudo nas bochechas e sobrancelhas.

A queratose pilar pode estar associada ao eczema atópico ou não.

Apesar de habitualmente melhorar com a idade, mesmo sem tratamento, e de não ter gravidade e de também não provocar sintomas, é cosmeticamente desagradável, havendo terapêutica que o seu pediatra poderá recomendar, para melhorar o aspeto.

Esta terapêutica passa pela aplicação diária continuada de cremes que simultaneamente hidratam a pele e promovem um amaciamento das rugosidades, juntando emolientes com queratolíticos («lixa» química) suaves. Poderá ser necessária a aplicação de corticóides tópicos temporariamente se ocorrer muita inflamação associada.

De qualquer maneira, é muito importante manter a pele hidratada e evitar a utilização de géis de banho que contenham sabão pois a secura da pele contribui para o agravamento desta situação.

 

Paulo Coutinho – Pediatra

Emídio Carreiro – Pediatra

 

Revisto em 01|06|2015

Nota: Este texto não substitui o conselho médico, diagnóstico ou tratamento. Procure sempre o conselho do seu médico.

Vacina da Meningite: Meningococo B - 24 Maio, 2015

Vacina da Meningite: Meningococo B

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O que é o Meningococo tipo B

O meningococo tipo B é uma bactéria que está presente no nariz e garganta de algumas pessoas (adultos e crianças). Não se sabe bem porque em alguns indivíduos causa a doença.

 

Doença

Esta bactéria pode provocar meningite e este facto justifica o uso habitual do nome “Vacina da Meningite”, ou sepsis (infeção generalizada do sangue/corpo).

Em qualquer uma das doenças referidas pode provocar sequelas graves ou mesmo a morte (10-15%). A evolução da doença é muito rápida.

Estima-se que 10-20% das pessoas que sobrevivem fica com sequelas graves desde amputações, paralisias, deficiências intelectuais, surdez, etc.

 

Como se transmite

O contágio ocorre por via respiratória através das gotículas expelidas ao tossir ou espirrar. Quanto mais próximo/íntimo for o contacto maior a probabilidade de contágio.

 

Sintomas

O período de incubação (desde que se “apanha” essa bactéria até inicio da doença) varia de 3-7 dias. Alguns dos sintomas poderão ser febre, cefaleias, rigidez da nuca/pescoço, vómitos, confusão, intolerância à luz e mialgias. Podem surgir manchas escuras na pele, na maioria das vezes com evolução muito rápida. Cerca de 5-20% manifesta-se como sépsis sem meningite (sem inflamação das membranas que envolvem o cérebro- meninges)

 

Quem é mais afetado?

A frequência desta infeção é maior nas crianças durante o 1º ano de vida e depois volta a surgir um pico relevante entre 14-19 anos. Portadores de algumas doenças como seja a ausência de baço têm maior risco de contrair a doença

 

 

Prevenção?

A adequada prevenção será a administração da vacina anti-meningococo tipo B.

 

Em nossa opinião esta vacina está recomendada em todas as idades pediátricas.

 

 

Emidio Carreiro – Pediatra

Paulo Coutinho – Pediatra

 

Nota: Este texto não substitui o conselho médico, diagnóstico ou tratamento. Procure sempre o conselho do seu médico.

Quando é o curso de comportamento não verbal (CNV) ? - 13 Maio, 2015

Curso de introdução à comunicação não verbal

05 de Junho 2015 –   Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho.

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Interpretar o comportamento humano e a forma como comunicamos é, desde há muito, uma preocupação universal.

A comunicação é a pedra basilar das relações interpessoais, podendo assumir várias formas. Geralmente, associamo-la a palavras, contudo, a maior parte da comunicação não se faz por intermédio destas (faladas ou escritas), mas antes por expressões faciais, gestos, posturas, aparência ou simples toque dos corpos.

No nosso percurso de vida, ensinam-nos as palavras que devemos utilizar, a forma de as interpretar, descurando a transmissão de competências no que respeita à interpretação dos gestos e sinais adstritos à nossa comunicação e determinantes no passar da mensagem.

Conscientes destes desafios, a NCA – Nonverbal Communication Academy, irá dinamizar em parceria com a Alumni Medicina (www.alumnimedicina.com) o curso de Introdução à Comunicação Não Verbal no próximo dia 5 de Junho nas instalações da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho.

Ao longo do dia serão abordados temas que propiciarão uma visão geral da comunicação não verbal, do estudo da interligação da gestualidade e das emoções, da deteção da mentira e da sua aplicação prática ao contexto profissional.

Do mundo empresarial ao ensino, dos cuidados de saúde às forças de segurança, da gestão de empresas ao mundo das artes e da comunicação, todos podemos beneficiar destes conhecimentos.

Compreender e descodificar a comunicação não verbal em todas as suas dimensões é uma via aberta para melhorar as relações pessoais e profissionais e, em última análise, para o sucesso. Depois do êxito do primeiro Simpósio de Comunicação Não Verbal realizado pela NCA no passado dia 31 de Janeiro , teremos, seguramente, mais um dia de aprendizagem e enriquecimento pessoal e profissional.

 

“Doença do Estalo/Bofetada” – Eritema infecioso, 5ª Doença -

“Doença do Estalo/Bofetada”  – Eritema infecioso, 5ª Doença

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O megaloeritema, eritema infecioso ou 5ª doença, mais conhecido popularmente pela doença da «estalada ou bofetada», é a consequência mais frequente da infeção humana por um vírus chamado Parvovirus B19. Além do eritema infecioso também é responsável por outro tipo de doenças.

A designação de 5ª doença tem origem histórica (século XIX), pois corresponderia ao que se acreditava ser na altura a 5ª doença exantemática (pele com pintas provocadas por uma situação infeciosa) a ser clinicamente reconhecida, após sarampo, escarlatina, rubéola e a «doença de Dukes», esta última não tendo sido confirmada posteriormente.

É uma doença comum na infância e adolescência (70% dos casos entre os 5 e os 15 anos) que em muitos casos passa clinicamente inaparente.

É benigna e auto-limitada em indivíduos saudáveis.

Coloca problemas importantes em doentes com as defesas imunitárias em baixo (quimioterapia, SIDA, transplantados) ou com anemias hemolíticas crónicas e também durante a gravidez.

 O período de incubação varia entre 4-28 dias (média de 17 dias).

O contágio ocorre por via respiratória e muito raramente através de transfusão sanguínea.

Clinicamente pode iniciar-se por sintomas de febre baixa, dores musculares (mialgias), náuseas, diarreia, dor de cabeça (cefaleias) e de «constipação» em crianças confortáveis e sem ar doente, mas aquilo que é a sua imagem de marca é o aparecimento de um vermelhão nas bochechas e face (daí a estalada ou bofetada) sem grande comichão (prurido) que se estende por vezes aos ombros, peito e extremidades, aqui com um aspeto reticulado, que pode durar entre 1-3 semanas, «indo e vindo» e em alguns casos poderá durar meses.

O diagnóstico é essencialmente clínico, podendo ser confirmado por análises de sangue, se necessário.

Não existe tratamento específico e como dito acima, resolve espontaneamente em crianças imunocompetentes ou sem anemias hemolíticas crónicas.

A lavagem cuidadosa das mãos pode ajudar a prevenir a transmissão desta doença.

Nas situações especiais referidas acima é indispensável uma orientação hospitalar especializada.

Como pediatras, interessa-nos sobretudo aqui salientar 4 aspetos relativos a esta doença, que são fonte de alguma confusão na cabeça dos pais e cuidadores:

  1. Quando surge a erupção, deixa de haver contágio, pelo que não está indicada evicção escolar;
  2. Pode reaparecer (reativar) durante semanas em contexto de stress, exposição solar, calor ou exercício físico;
  3. No caso de existirem  grávidas nas escolas, também não está recomendada a sua exclusão escolar. Nesta situação deverão evitar contacto direto com estas crianças;
  4. Felizmente, a maior parte das situações de gravidez e infeção por Parvovirus B19 (maior risco no 2º trimestre gestacional) decorre sem problemas (perda fetal em menos de 5%). Nestas situações, no entanto, recomendamos o acompanhamento obstétrico competente, que orientará com análises ou imagiologia conforme julgar adequado.

 

Paulo Coutinho

Emídio Carreiro

Revisto em 20/5/2015

Nota: Este texto não substitui o conselho médico, diagnóstico ou tratamento. Procure sempre o conselho do seu médico.

 

Espasmos do Choro -

Espasmo do Choro PDF               

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O que são?

Os espasmos do choro são uma situação benigna e habitualmente com resolução espontânea até à idade escolar, que podem ocorrer em cerca de 5% das crianças saudáveis, mais frequentemente entre os 6 meses e 5 anos. Oitenta por cento das crianças têm o primeiro episódio antes dos 18 meses.

Os espasmos são desencadeados por situações desagradáveis para a criança, desconhecendo-se a sua causa (não são uma manifestação de epilepsia), repetindo-se de forma mais ou menos completa, mas sempre precipitados por um estímulo negativo.

Com o tempo, as famílias envolvidas aprendem a identificá-los e antecipá-los muito bem.

 

Como se expressam clinicamente?

Tipicamente, após uma situação desagradável como seja uma queda, uma contrariedade, medo, susto ou qualquer dor súbita, no início ou durante o choro, a criança prende a respiração em expiração, deixa de chorar e entra em apneia com cianose (coloração arroxeada) a que se segue hipotonia/fraqueza muscular e por vezes mesmo perda de consciência. Se a apneia é mais prolongada pode surgir hipertonia (rigidez corporal e até com encurvamento). Muito raramente poderão surgir convulsões. Este é a forma de espasmo do choro cianótico.

Noutras situações, após um susto a criança pode ficar pálida e suada. Se esta situação demora alguns segundos pode igualmente ficar com hipertonia/rigidez muscular, podendo ocorrer incontinência de esfíncteres. Esta forma é muito menos frequente.

O que deve ser feito?

Deverá manter-se a calma e aguardar (veja o vídeo do Youtube© no fim do texto).

Se numa fase muito inicial, depois de conhecer o que vai acontecer, chamar pela criança, poderá conseguir abortar a situação.

Na maioria das situações não adianta gritar ou abanar.

Não faça manobras de respiração boca a boca, aguarde que a situação desaparecerá.

 São precisos exames para esclarecimento?

 Nos primeiros eventos irão ficar muito preocupados, pelo que deverá procurar o seu pediatra que lhe explicará e orientará se houver alguma dúvida.

Se existirem patologias concomitantes, nomeadamente situações de anemia ferropénica, o pediatra orientará adequadamente.

Qual é o prognóstico?

 A maioria desaparece pelos 4 anos e muito raramente persistirá para além dos 8 anos.

Esta situação não é prevenível ou tratável com medicamentos.

Em alguns casos as crianças poderão fazer “esta manobra” como forma de pressão e manipulação, quando se apercebem que ao iniciar o choro os pais ficam com uma ansiedade desajustada.

Por isso, é muito importante que as famílias mantenham a implementação das adequadas normas de orientações educativas, mesmo sabendo que isto poderá gerar contrariedade e eventualmente desencadear episódios de espasmos do choro, havendo o risco de, se não o fizerem, levar ao aparecimento de comportamentos desajustados no futuro.

 

https://www.youtube.com/watch?v=15RX2azZwX8#t=36

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Paulo Coutinho – Pediatra

 

Revisto em 13|05|2015

Férias: farmácia de viagem, o sol, picadas, segurança… - 8 Maio, 2015

 Férias: farmácia de viagem, o sol, picadas, segurança…

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As férias são momentos ansiados por todos nós. A preparação das férias deve incluir cuidados redobrados com as nossas crianças. Neste texto vamos apresentar alguns conselhos de preparação para um gozo mais seguro destes momentos.

 

Farmácia de Viagem – Check-list

Os medicamentos a levar são os mínimos para as situações banais mais frequentes durante os períodos de férias:

– Pensos rápidos e compressas

– Termómetro digital (evitar os de vidro para férias)

– Paracetamol (dor e febre)

– Produtos de hidratação oral em carteiras para dissolver em água. Ocupam pouco espaço e dão para vários dias.

– Anti-histamínicos para situações de alergia ou picadas (xarope/comprimidos)

– Desinfetante para pequenas lesões (sob a forma de creme/pomada)

– Repelente de insetos

– Protetor solar (FP 50+ – não facilite…)

– Medicação que habitualmente faz (bem contabilizada para todo o tempo de férias, contando com algum incidente, ou seja levar alguma quantidade a mais)

– Em situações bem definidas pelo seu pediatra poderá levar algum tipo de antibiótico. Será também importante que possa contactar com o pediatra para decidir alguma atuação.

 

Condições dos seguros, cartão europeu de saúde

Verificar as condições de seguros da agência de viagens, caso tenha sido esta a opção; verificar se os seguros de saúde necessitam de ser ativados nas deslocações para estrangeiro. Não se esqueça do Cartão Europeu de Saúde e que esteja dentro da validade.

 

Estudar bem o país/local e seus usos e costumes

Se ainda não conhece o local ou país de destino será importante:

– Ler as recomendações das companhias de viagem

– Conhecer as caraterísticas climáticas diurnas e noturnas para poder adequar as roupas

– Avaliar a segurança nas ruas em termos de roubos e como deve atuar nestas situações. Hoje em dia é fácil avaliar estes aspetos na internet

– Não esquecer que alguns gestos simbólicos ( ) não têm o mesmo significado em todos os países e podem ter um significado pejorativo

– Se viaja com crianças que já falam será importante ensinar-lhes algumas palavras de pedidos de ajuda e de contacto telefónico

– Colocar em local acessível o número de telefone (já com o indicativo), sem nomes da criança, num papel, parte interior do chapéu ou do cinto ou ainda numa pulseira

 

Depois da chegada ao local de estada, não esquecer de, em caso de se perderem:

– Marcar ponto de encontro no hotel/resort

– Marcar porta/outro sinal em recintos de espetáculos ou centros de comércio/ruas

– Marcar ponto de encontro na praia, assinalando algo que seja visível ao longe e com indicação/nome fácil de soletrar

– Não se esqueça que quando a criança se perde na praia, a sua tendência será caminhar ao longo da praia de costas para o sol – procure primeiro neste sentido

– Descubra onde e como funciona o sistema de segurança (seguranças, polícia) do local de dormida e nas imediações

 

Comidas e bebidas

Em países e locais com boas condições a atuação será idêntica à que tem em sua casa. Contudo não esquecer de redobrar os cuidados de higiene pois fora do nosso ambiente a doença sente-se sempre como mais grave, quer psicologicamente que monetariamente.

A lavagem das mãos é sempre uma pedra basilar em qualquer local que nos encontremos.

A ingestão de produtos adquiridos nas feiras, sem controlo, ou em vendedores ambulantes tem um grande risco.

 

Evite comer alimentos crus ou mal cozinhados.

Utilize bebidas de garrafa com cápsula.

O gelo que lhe vão servir é de água não engarrafada – atenção ao país/local onde se encontra.

Use também água tratada, e se não está seguro, água engarrafada para a lavagem dos dentes.

 

Picadas

Utilize repelentes de insetos.

Os repelentes de insetos com DEET são mais eficazes contra os mosquitos e carraças. A concentração mais eficaz é de cerca de 30% que é a concentração máxima recomendada para crianças (só a partir dos 2 meses).

 

Em locais de risco usar roupas claras, cobrindo o máximo possível da pele (não necessita de escafandro…), evitando roupas muito coloridas e brilhantes. Não use estampados de flores.

O nascer e o pôr-do-sol são os momentos mais suscetíveis à picada de mosquitos.

Não utilize produtos muito perfumados fora da habitação pois poderão ser um atrativo para os insetos.

Os repelentes devem ser colocados somente na pele exposta, evitando as mãos (principalmente em crianças) pele danificada ou feridas.

Os repelentes deverão ser aplicados mais do que uma vez por dia e de acordo com as instruções de utilização recomendadas por cada um.

Quando chegue a casa deverá lavar as zonas onde colocou repelente, desde que aí tenha condições de segurança (mosquiteiros onde seja necessário, repelentes aéreos ou localizados na habitação).

A picada do peixe-aranha, para os destinos de praia, é um risco a ter em conta. Além de retirar algum pico (com uma pinça) necessita saber que ao contrário da maioria das situações de picada, neste caso deverá ser colocado calor no local da lesão durante alguns minutos. A analgesia com paracetamol e ibuprofeno deverá ser uma medida a considerar, podendo necessitar de apoio médico em seguida.

Na picada por alforreca (anémona, caravela portuguesa) além de retirar os picos com uma pinça deve lavar com água do mar e a seguir lavar e colocar vinagre (pano embebido). Administrar analgésico logo que possível. Poderá necessitar de apoio médico imediato, dependendo da extensão e do local das picadas (boca, olhos…). A alforreca poderá causar lesões até 24 depois de morta, pelo que deverá ter cuidado com as encontradas na praia.

 

Consulta médica antes da viagem

A consulta de Medicina da viagem é obrigatória quando se deslocar para alguns países. Existem vacinas obrigatórias, não necessárias no nosso país (febre amarela, Hepatite…) e que serão indicadas nesta consulta. Nesta consulta poderão ser dadas orientações específicas de acordo com o país de destino nomeadamente profilaxias antibióticas e atuação antibiótica em situações particulares.

A consulta com o pediatra deveria fazer parte da preparação para qualquer tipo de viagens de férias fora do país. Nesta consulta poderão ser dadas indicações específicas de atuação em caso de doença, incluindo doses de fármacos de primeira linha. Mesmo para países europeus poderão estar indicadas revacinações ou antecipação de vacinações (sarampo ou outras).

As vacinas da hepatite A e outras do meningococo (vulgarmente conhecidas como vacinas da meningite) poderão estar indicadas de acordo com o país de destino, caso não as tenha já efetuado.

 

O Sol

Quando falamos de férias associamos lazer ao sol, seja em montanhas, praia ou piscina. É por todos conhecido o benefício do sol na nossa saúde. Contudo, apesar de também ser por todos reconhecida a gravidade do excesso de exposição com ou sem protetor solar, todos os dias poderemos ver atitudes inconscientes, principalmente nas nossas lindas praias.

As lesões do sol mais reconhecidas como as queimaduras são importantes, contudo a gravidade futura destas queimaduras ou da excessiva exposição solar só mais tarde serão avaliadas e reconhecidas pelo aumento significativo de tumores cutâneos.

 

Fazemos alguns alertas em relação ao sol:

Evite exposição solar entre as 11-16h

Use protetor solar com SPF 50+ nos primeiros anos de idade

Coloque sempre o protetor solar 20-30 minutos antes da exposição (os protetores minerais não necessitam de antecedência na colocação)

Até aos 2-3 anos ou com pele sensível recomendamos o uso de protetor mineral (inorgânico)

Não use restos de protetores do ano anterior

Crianças até aos 6-12 meses não deveriam estar diretamente expostas ao sol

Renove a aplicação do protetor de 2/2h. Se tomar muito banho aplique logo de seguida á saída da água, mesmo que na embalagem refira que é resistente á agua

Use chapéu com abas largas para proteger as zonas de incidência da luz sobre maior ângulo como seja o nariz, “bochecha”, lábio inferior e também muito importante os pavilhões auriculares.

 

As roupas escuras e mais “opacas” fornecem mais proteção dos raios solares

As pessoas de pele clara, loiras, ruivas e sardentas devem ter ainda um cuidado mais acurado

Os dias nublados são um engano. Proteja-se igualmente dos raios solares.

Se tem algum sinal que se modifica ou fica pruriginoso consulte o dermatologista

Recomendamos o uso de óculos como forma coadjuvante de proteger a sensível retina das crianças. Não temos uma idade exata para início do uso de óculos, mas como regra diríamos logo que os tolere e principalmente desde que os consiga manusear. Não esquecer que uma criança com uma visão mais escura poderá ter inicialmente alguns problemas de adaptação às brincadeiras.

 

Emídio Carreiro – Pediatra   (Facebook: Clínica Dr. Emídio Carreiro e Dra. Margarida Souto)

Paulo Coutinho – Pediatra

 

Revisto em 08|05|2015

Dica de férias – Viagem de avião (1) - 1 Maio, 2015

Dica para férias – viagem de avião (1)      Download PDF                             

Se vai ter um filho próximo da data de viagem, fique a saber que não estão autorizados a viajar com menos de 7 dias de vida e pessoalmente aconselhamos a fazer viagem de avião só após um mês de idade.

Algumas doenças, nomeadamente pulmonares ou dos ouvidos impedem o uso da via aérea para viajar – questione o seu pediatra.

Antes da viagem aconselhamos a administração de um analgésico (quando sai de casa para o aeroporto).

Se estiver “constipado” deverá no dia anterior e até saída para o aeroporto, tomar um anti-histamínico oral e colocar descongestionante nasal prescrito pelo pediatra de acordo com as caraterísticas e idade da criança.

Vestir roupas folgadas e leves. Se a criança ainda usa fralda, vestir roupas fáceis de manusear para mudança de fralda (mudar antes de entrar no avião).

De acordo com as idades poderá necessitar de uma cadeira apropriada para o transporte.

Leve alimentos e líquidos – principalmente água para poder colmatar momentos de sede.

Na descolagem e aterragem deverá “presentear” a criança com bebida/alimento que lhe facilite movimentos mastigatórios e/ou de sucção (puxe pela imaginação…).

Viagens longas pressupõem momentos de cansaço/aborrecimento: leve livros e jogos diversificados para entretenimento.

Aproveite para no início da viagem antecipar, com os “vizinhos” dos assentos ao redor, a possível ocorrência de choros/cheiros. Permite assim um bom relacionamento, retirando o “tapete” aos vizinhos para más expressões faciais durante a viagem e poderá mesmo contribuir para uma ajuda de entretenimento.

Não perca o seu filho de vista no aeroporto.

Crie uma história divertida que inclua a viagem que vão fazer, nomeadamente as filas do check-in, os procedimentos de segurança, entrada no avião, etc., para assim diminuir o eventual medo do voo.

Emídio Carreiro – Pediatra                                                    

Paulo Coutinho – Pediatra

 

Revisto em 01|05|2015

Alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) - 8 Março, 2015

ALERGIA ÀS PROTEÍNAS DO LEITE DE VACA

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Alguns lactentes, quando ingerem leite de vaca, podem reagir contra as proteínas nele contidas através de uma reacção do sistema imunitário levando a um conjunto de sintomas, que se designa por alergia às proteínas do leite de vaca (APLV).

As proteínas mais frequentemente implicadas na APLV são a caseína, a alfa-lactoalbumina e a beta-lactoglobulina.

 

Esta alergia nada tem que ver com a intolerância à lactose, como explicado noutro apontamento, pois tem uma causa e tratamento completamente diferentes.

É a principal alergia alimentar das crianças pequenas (cerca de 2% das crianças abaixo dos 4 anos de idade), refletindo ser o leite de vaca o principal antigénio não homólogo (proteína «estranha» de uma espécie diferente da nossa) com o qual os seres humanos contactam em primeiro lugar em quantidades apreciáveis.

A APLV pode acontecer quando um bebé ingere pelas primeiras vezes leite industrial, por falta de leite materno, ou nas situações de lactentes amamentados exclusivamente quando começam a comer alimentos que contenham leite de vaca na sua constituição, pois quase todos estes produtos são preparados a partir de leite de vaca. Lembramos também que a APLV pode ocorrer quando as crianças estão exclusivamente com leite materno. A mãe ao ingerir leite de vaca possibilita a passagem de algumas proteínas alergizantes para o bebé.

As manifestações clínicas são muito variadas podendo envolver:

– Reações agudas (em que os sintomas surgem nas horas a seguir ao contacto)

-Reações retardadas (em que a sintomatologia demora dias a aparecer, com resultados de testes habitualmente negativos).

 

Operando separada ou conjugadamente, estas reações conduzem a sintomatologia:

Cutânea: urticária, com inchaço e manchas vermelhas na pele. Dermatite atópica.

Intestinal: vómitos, diarreia, sangue nas fezes

Respiratória: tosse, pieira etc.

 

Em casos extremos esta alergia pode mesmo levar à morte.

O diagnóstico baseia-se fundamentalmente na suspeição clínica. Os testes de alergia, no sangue ou cutâneos (prick test), são por vezes negativos.

O tratamento consiste numa evicção completa de proteínas do leite de vaca na alimentação destas crianças, enquanto persistir a alergia.

Para esse efeito, durante esse período, deverá utilizar leites especiais que não contém proteínas de leite de vaca detetáveis pelo sistema imunitário – hidrolisados de proteínas. Estes leites serão a fonte exclusiva quer para consumo direto, quer para preparação de outros alimentos que necessitem de leite.

O desaparecimento da alergia deverá também ser confirmado por um teste de provocação oral com leite de vaca realizado em meio hospitalar para mais segurança. A idade para realizar este teste de tolerância dependerá da forma de manifestação da alergia e do grau de sintomatologia e resultados dos testes sanguíneos

Felizmente, a maioria das crianças com APLV adquire tolerância espontaneamente com o tempo, o que acontece mais rapidamente nas situações não mediadas por IgE.

Paulo Coutinho – Pediatra

Emídio Carreiro – Pediatra

 

Revisto em 08|03|2015

 

Sarampo. Regressou ? - 3 Março, 2015

 Sarampo. Regressou?

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 O sarampo é uma doença vírica. Está “esquecida” entre os pediatras pelos anos passados sem registos significativos. Nos últimos 10 anos foram notificados somente 23 casos importados principalmente do Reino Unido, Angola e França. O sarampo pode ser evitado com a vacinação, que em Portugal é feita atualmente aos 12 meses, incluída na vacina VASPR (Vacina contra o Sarampo, Parotidite epidémica e Rubéola) e repetida aos 5 anos.

A vacinação foi dos maiores avanços médicos na diminuição da mortalidade e morbilidade, causada pelas doenças infeciosas.

O sarampo é uma das doenças infeciosas mais contagiosas. Esta doença pode manifestar-se de uma forma grave, podendo mesmo conduzir à morte.

A não vacinação, não tem em meu entender justificação, quer do ponto de vista pessoal quer social. A grande “acalmia” desta doença entre nós começa a ficar agitada, com os surtos nos países que nos rodeiam.

Nos últimos dias tem surgido alguma informação sobre o sarampo em consequência da possível importação de países europeus, por pessoas não vacinadas ou com o esquema vacinal incompleto. Além de Africa e Ásia, também a Europa tem registado surtos/epidemias de sarampo nos últimos anos, nomeadamente em Espanha, França e Inglaterra, Alemanha e Itália.

A informação sobre a necessidade obrigatória da ingestão prévia do ovo, pelo facto da vacina ser preparada em embrião de galinha não é correta. A Vacina não deve ser “negada” a crianças que não tenham ingerido ovo. Só em casos raros de anafilaxia reconhecida (alergia grave) com o ovo se poderá considerar a vacinação em ambiente hospitalar.

De acordo com o recente comunicado da Direção Geral de Saúde (27/02/2015):

“ Consideram-se protegidos contra os sarampo as pessoas que tiveram sarampo ou possuem:

            – Com menos de 18 anos de idade – duas doses de vacina contra sarampo (VASPR)

            – Com 18 anos de idade ou mais – uma dose de vacina contra sarampo (VAS ou VASPR).”

Se vai para o estrangeiro deverá observar o seu “Boletim de Vacinas” verificando o seu estado vacinal. Se não consegue ter a certeza do seu estado vacinal, então deverá consultar o seu pediatra/médico assistente ou centro de saúde.

 

Não deixe que o sarampo volte a atormentar o nosso “estado de saúde”.

Vacine-se e estimule a vacinação.

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Revisto 03-03-2015

Métodos de estudo – Otimização - 25 Fevereiro, 2015

Otimização dos Métodos de Estudo

                Muitos estudantes atribuem o sucesso académico de alguns colegas à “inteligência”, ficando surpreendidos quando descobrem que, afinal, há também algum trabalho envolvido nisso. Outros atribuem o sucesso às horas passadas “a marrar”, em detrimento do tempo livre e lazer.

Embora as competências cognitivas e o tempo despendido sejam importantes para o sucesso, este depende de vários fatores. O que se procura é um equilíbrio entre o tempo para estudar e consolidar conhecimentos e o tempo para brincar e relaxar. É importante, por isso, que o estudante consiga regular a sua própria aprendizagem, desenvolvendo competências para planificar, executar, avaliar e ajustar o seu trabalho.

Um dos fatores essenciais para o sucesso no estudo é a motivação. O estudante deve conhecer os objetivos das atividades e deve atribuir-lhes significado. Deve ter presente aquilo que se pretende atingir com o estudo, a curto, médio e longo prazos. Por isso, é importante estabelecer um plano à partida, monitorizá-lo e avaliá-lo ao longo do tempo.

Ao nível do controlo exercido pelos pais, salienta-se a importância do reforço positivo para a motivação. A recompensa imediata pelo esforço, o elogio e a criação de um sistema de créditos ajudam a aumentar a frequência dos comportamentos apropriados, assim como a motivação.

Outro fator importante é o contexto onde o estudo acontece. O local de estudo deve ser bem definido e é necessário ter atenção à iluminação, à temperatura, à ventilação, à altura da mesa e à organização do espaço, eliminando, ao mesmo tempo, locais com focos de distração ou possibilidades de interrupção. Deve também existir um relógio – que não o do telemóvel –, para que haja controlo do tempo.

A organização do estudo também está associada à sua eficácia. Deve existir uma planificação adequada, concreta e realista, que deve ser aplicada e avaliada ao longo do tempo. Pode mesmo ser definida uma planificação anual e semanal, estabelecendo as necessidades de estudo para cada dia e as disciplinas que necessitam de atenção. Cada sessão de estudo também deve ser planeada, definindo os objetivos da mesma, o material necessário e as atividades específicas a realizar. O estudo em blocos, intercalado com intervalos curtos, permite evitar o cansaço e a frustração.

Definidos o contexto e a organização, é importante desenvolver o método: fazer apontamentos, ler adequadamente a informação, sublinhar, esquematizar e resumir, tendo sempre atenção às regras básicas que facilitam a associação a conhecimentos anteriores, a atenção na tarefa, a compreensão da informação e a memorização.

Tudo isto só será possível, claro, na presença das condições físicas e psicológicas adequadas, tais como alimentação adequada, as horas de sono suficientes, o exercício físico e a saúde no geral, assim como a motivação, a satisfação com as relações afetivas e os baixos níveis de stress e ansiedade. Estas constituem a base do sucesso.

Linda Candeias – Psicóloga

Revisto em 25|02|2015

Birras. Como lidar? - 22 Fevereiro, 2015

Birras: Como lidar?

As birras são comportamentos que surgem tipicamente por volta dos 2 anos de idade, como parte do desenvolvimento da criança. É uma altura em que a criança começa a ter dificuldade em lidar com a falta de controlo que tem sobre o meio e com o conflito entre a necessidade de segurança e a própria autonomia. A esta discrepância entre as suas necessidades e a pressão exercida pelo meio, a criança responde com birras.

Do outro lado da barricada, estão os pais. Confusos e sem saber onde está o seu bebé, que ainda é tão vulnerável, mas que já quer ir mais longe. Surge a ansiedade e a dúvida sobre quanto controlo é necessário e quanta liberdade se pode dar à criança, sem colocar em risco a sua segurança. Inevitavelmente, surge a culpa e a dúvida sobre qual a melhor forma de agir.
No entanto, a disciplina não só é importante, como é essencial para o adequado desenvolvimento da criança. Respeitar o outro, saber partilhar, esperar pela vez, saber ouvir…tudo isto é importante e a disciplina ajuda a desenvolver estas competências. Mais do que isso, a disciplina dá segurança à criança. Contudo, o equilíbrio entre o autoritarismo e a permissividade deve ser encontrado, para evitar lutas de poder. Deve, portanto, equilibrar-se o controlo e a autonomia, assim como a disciplina e o reforço positivo.

Prevenir é sempre melhor. Conhecer bem o temperamento da criança e os seus sinais iniciais de frustração é fundamental para que a resposta seja a mais adequada, no sentido de a guiar para a melhor forma de resolver a situação.
Usar o elogio também é uma estratégia importante. É preciso estar atento aos comportamentos adequados que a criança apresenta, valorizando o esforço e não só o sucesso. É importante reforçar estes comportamentos, para que a criança esteja motivada para os repetir. Por vezes até estabelecer um programa de recompensas, adequado à idade da criança e ao nível de desenvolvimento, até que se chegue a bom porto.

Ao dar ordens, é necessário que estas sejam claras e específicas. Também é importante avisar com antecedência suficiente, para que a criança se prepare para as cumprir. No entanto, não se deve dar a ordem indefinidamente, contribuindo para uma escalada que vai culminar em discussão. É necessário ajudar a criança a ganhar noção do tempo e a aprender que a ordem será para cumprir em tempo útil, tudo isto mantendo a calma e a serenidade.
Quando a birra surge, por vezes ignorar é o melhor remédio, garantindo, evidentemente, a segurança da criança. Um ignorar subtil, que não reforça o comportamento de qualquer forma, às vezes resolve o problema. Outras vezes, é necessário proporcionar à criança um tempo de pausa, dirigindo-a para um local seguro, para que se acalme durante um curto período de tempo. Outras estratégias são as consequências que façam sentido tendo em conta o comportamento apresentado, assim como a perda de privilégios.

Por fim, enquanto pais, é essencial dar o exemplo e tentar, sempre que possível, controlar o próprio comportamento, tolerar as frustrações da melhor forma e resolver os conflitos de forma assertiva. Assim a criança terá os melhores modelos a seguir.

Linda Candeias – Psicóloga

Revisto em 22|02|2015

Intolerânicia à lactose - 18 Janeiro, 2015

INTOLERÂNCIA À LACTOSE

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A lactose é um açúcar presente no leite dos mamíferos. A lactose é desdobrada/hidrolisada por uma enzima chamada lactase, nos seus dois componentes – glucose e galactose. Ao contrário da lactose estes dois componentes já podem ser facilmente absorvidos pelo intestino.

A Intolerância à lactose significa que não temos a quantidade de enzima (lactase) necessária á boa digestão da lactose presente no leite e derivados.

A intolerância à lactose não deve ser confundida com a alergia às proteínas do leite de vaca, pois é uma doença diferente e com tratamento diferente.

A atividade máxima da lactase verifica-se ao nascimento, o que é desejável para optimizar a digestão do leite materno, reduzindo-se depois progressivamente na maioria das pessoas, refletindo um perfil evolutivo comandado geneticamente.

Assim, a intolerância à lactose pode ser dividida em 3 tipos:

1- Intolerância primária (genética, dependente da idade).

Como descrito acima, depois dos primeiros anos de vida vamos perdendo progressivamente a quantidade da lactase. É o que acontece em cerca de 70% da população mundial (atingindo na Europa valores próximos de 20% dos adultos). De salientar que a variação entre etnias é muito grande.

2- Intolerância secundária.

A intolerância secundária pode ocorrer temporariamente e de forma reversível, por exemplo durante e após gastroenterites severas. Pode igualmente acompanhar doenças intestinais crónicas nomeadamente a doença celíaca, doença de Crohn ou cirurgias extensas ao intestino delgado.

3- Intolerância congénita.

Esta situação é muito rara, sendo a maioria dos doentes oriundos da Finlândia.

 

A Lactose não hidrolizada, quando atinge o intestino grosso, é degradada pelas bactérias aí presentes, formando-se substâncias (hidrogénio, anidrido carbónico, metano, ácidos gordos de cadeia curta) responsáveis pelos sintomas característicos desta doença.

A sintomatologia mais frequente é:

– Dor abdominal (cólicas)

– Distensão abdominal (barriga inchada)

– Diarreia

– Flatulência (gases)

– Vómitos – mais frequente em adolescentes

Nas crianças é frequente a queixa surgir após o pequeno-almoço ou lanche, pois são os momentos em tomam mais quantidade de leite.

 

O diagnóstico é essencialmente clínico. A forma mais simples consiste na supressão da lactose na alimentação durante 2 a 4 semanas e verificar a evolução da sintomatologia, comparando com o que acontecia anteriormente.

Nas crianças maiores ou adultos, no caso de permanecerem dúvidas, poderemos recorrer a outros métodos (teste do hidrogénio expirado, teste sanguíneo de sobrecarga de lactose, biópsia do intestino delgado ou teste genético). Contudo referimos que o recurso a estes métodos é excepcional nas crianças.

A forma adequada de tratar esta situação consiste na diminuição da ingestão da lactose (não de leite) adaptada à melhoria das queixas da criança (como é evidente, apenas justificada temporariamente nas situações de intolerância secundária a gastroenterites mais severas).

Poderemos assim usar leites sem lactose, quer as fórmulas lácteas para crianças nos primeiros meses/anos de vida, quer o leite de vaca ultrapasteurizado sem lactose. Dependendo da idade poderemos igualmente utilizar o chamado “leite de soja”. Os produtos lácteos fermentados como seja o queijo ou iogurte toleram-se melhor pois além de conterem menos lactose, podem conter bactérias que ajudam a sua digestão.

Em situações de intolerância acentuada/grave poderemos ter necessidade de eliminar completamente a lactose da alimentação (insistimos lactose e não o leite) usando leite e derivados sem lactose. Nesta situação devemos estar atentos a alguns medicamentos que contêm lactose.

 

Existem no mercado comprimidos com lactase para tomar antes da ingestão de produtos lácteos. Além dos seus custos e incómodo devemos pensar nesta situação para momentos particulares, quer sejam motivos sociais ou de preferência individual. Os resultados da ingestão destes comprimidos são no entanto variáveis pois não são capazes de garantir a completa hidrólise de toda a lactose ingerida. A necessidade de usar estes medicamentos deve ser discutida com o pediatra para avaliar a forma e a quantidade a usar.

 

A restrição da quantidade de produtos lácteos poderá levar a défices, nomeadamente de cálcio, fósforo e vitaminas B2 e D, bem como à necessidade da sua suplementação, pelo que alertamos para que não proceda a alterações dietéticas significativas na alimentação láctea do seu filho, pelos riscos que poderá acarretar para a sua saúde e crescimento, sem o acompanhamento do seu pediatra.

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Paulo Coutinho – Pediatra

Revisto em 18|01|2015

Alopécia occipital – pelada na nuca dos bebés - 13 Janeiro, 2015

ALOPÉCIA OCCIPITAL – PELADA NA NUCA DOS BEBÉS  

Observa-se ocasionalmente uma alopécia localizada (pelada) na área da nuca em bebés pequenos que motiva preocupação aos pais pelo receio dos cabelos poderem não voltar a crescer.

É comum ser justificada pelo efeito de fricção da cabeça no berço dado o facto de os lactentes passarem muito tempo deitados sempre na mesma posição, sobretudo em decúbito dorsal (de barriga para cima).

Na verdade e ao contrário do que acontece na plagiocefalia posicional, nada tem que ver com a posição e portanto, as medidas de mudança de posição serem inúteis.

Além disso, decorridos alguns meses, tudo normaliza, sem necessidade de qualquer intervenção.

Então porque acontece esta situação?

Para se perceber é preciso conhecer os processos da formação do cabelo dos seres humanos, desde o início, que acontecem aproximadamente por altura do meio da gestação.

Os primeiros rudimentos de cabelos surgem em ciclos começando na região frontal e progredindo no sentido caudal. Estes cabelos vão nascendo e caindo in útero antes do nascimento seguindo essa ordem, todos na mesma fase de crescimento (sincronamente), como se de uma seara se tratasse.

Aquando do nascimento encontramo-nos habitualmente numa fase em que estão a começar a cair os cabelos na região occipital e já nasceram os da parte superior da cabeça, com o aparecimento nos meses seguintes da área de pelada correspondente.

Ora este ritmo perde-se para sempre quando nascemos, e a queda de cabelos deixa de ser síncrona, caindo e nascendo cabelos aleatoriamente, levando a que não se notem falhas.

Por isso, não se preocupe com a pelada que possa aparecer na área occipital do seu filho nestas idades, pois é um processo natural que resolve completamente, independente da posição de dormir.

 

 

Paulo Coutinho -Pediatra

Emídio Carreiro – Pediatra

Revisão – 13|01|2015

 

Plagiocefalia Posicional – Deformidade da cabeça - 10 Janeiro, 2015

 

PLAGIOCEFALIA POSICIONAL – Informação para pais

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A plagiocefalia posicional (PP) é uma deformidade do crânio, resultante de uma pressão externa. A Plagiocefalia que vamos abordar é consequência do dormir com a cabeça na mesma posição. Esta deformidade ocorre mais frequentemente nos primeiros 3 meses, em que a criança permanece mais tempo deitada na mesma posição e o crânio é mais deformável.
Esta deformidade não tem interferência no cérebro, nem no futuro desenvolvimento da criança, sendo contudo uma questão estética a não desprezar. Além da estética poderá ser um fator predisponente para o bullying na idade escolar.
Além da posição de dormir, outros fatores podem ter influência nesta deformidade. A posição in útero com compressão craniana, a prematuridade, o torcicolo congénito que diminuindo a rotação lateral do pescoço conduz a uma preferência posicional da cabeça.

  Figura-1-Plagiocefalia-dta-occipital--PintadaFigura-2-plagiocefalia-esquerda-Branco--PintadaFigura-3-plagiocefalia-central--PintadaFigura-4-Plagiocefalia-com-indicações-de-números--Pintada-e-numerada

papapdapap Figura 1                                          Figura 2                         333         Figura 3              444                    Figura 4

 

A deformidade pode notar-se na região occipital direita (fig1), occipital esquerda (fig.2) ou região occipital central (fig.3).

Como podemos notar a plagiocefalia? Olhando de frente para a simetria do rosto e também olhando de cima para o crânio como mostrado na figura 4.

O que podemos notar?
1- Crânio com formato de paralelograma quando observamos de cima (fig.4)
2- Um olho (fenda palpebral) parece mais pequeno que o outro e poderá parecer mais baixo
3- Achatamento de uma das partes detrás da cabeça ou da região central (fig. 1-4)
4- Região frontal (testa) do mesmo lado do achatamento também se encontra mais saliente (fig.4 número 2)
5- Pavilhão auricular (orelha) está mais deslocada para a frente. Colocar a polpa do dedo indicador em cada orifício do canal auditivo, olhando de cima e temos a clara perceção desta situação (Fig. 4 número 2).
6- Menos cabelo no local de achatamento
7- Parte posterior contrária ao achatamento mais abaulada (fig.4 número 4)

A plagiocefalia deve ser prevenida desde o nascimento. Podemos tomar algumas medidas preventivas ou corretivas como sejam:

1- O bebé deve dormir de costas (salvo indicação específica do pediatra). Esta atitude foi das medidas implementadas que mais influência teve na diminuição do Síndrome de Morte Súbita do Lactente (SMSL). Nesta posição devemos manter a cabeça nas várias posições, voltada para cima (olhar para o teto), para a direita ou para a esquerda.
2- Colocar os brinquedos nas diferentes posições para estimular o olhar e o rodar de cabeça (cama, mobiles, pega da cadeirinha de transporte).
3- Quando estiver á mesa, no sofá, junto da televisão, coloque o berço/tapete de atividades em diferentes locais para que o estímulo seja de um e outro lado.
4- Coloque um espelho, não quebrável, do lado sobre o qual pretende manter a posição.
5- Colocar uma superfície branca ou de cor uniforme de um dos lados da cama, quando pretendermos que olhe para o outro lado.
6- Quando o bebé dorme no quarto dos pais vai estar mais vezes voltado para a cama dos pais e/ou para a porta de entrada do quarto.
7- Colocar o bebé na posição de tummy time. Consiste em colocar o bebé, quando acordado, de barriga para baixo. Esta posição, que inicialmente não gostam, deve no início ser de alguns minutos, com progressivo aumento até 30-60 minutos por dia. Além de permitir uma estimulação visual diferente (vê as coisas na mesma posição que nós quando sentados ou levantados) permite igualmente um aumento do exercício dos músculos do pescoço e parte superior das costas.
8- Não deixe muito tempo o bebé na cadeira de transporte (< 90 minutos). Esta serve para transportar a criança no automóvel. Se necessitar passear use um sistema para tal fim evitando passeios curtos na cadeirinha. A cadeirinha não é berço nem cama.
9- Não usar sistemas de “prisão” para posicionar o lactente enquanto dorme.

As mesmas medidas preventivas, poderão servir para corrigir a plagiocefalia contrariando a posição viciosa que condicionou o achatamento.
Além da prevenção e destas medidas mais simples, poderemos ter que recorrer a outras formas terapêuticas que poderão ser indicadas pelo seu pediatra, nomeadamente o uso de capacete.

Aposte na prevenção, pois é fácil e eficaz na prevenção desta situação clínica tão frequente.

Emídio Carreiro – Pediatra      www.facebook.com/pages/Clínica-Médica-Dr-Emidio-Carreiro-Dra-Margarida-Souto
Paulo Coutinho – Pediatra

Eczema atópico / Dermatite Atópica - 1 Janeiro, 2015

ECZEMA ATÓPICO / DERMATITE ATÓPICA

 

O eczema atópico (ou dermatite atópica) é uma doença inflamatória da pele cada vez mais frequente nas crianças e adolescentes.

Pode causar grande incómodo às crianças e famílias atingidas, sobretudo pela persistência da sintomatologia e necessidade de aplicação continuada de medicamentos.

Surge habitualmente nos primeiros anos de vida, com uma gravidade ligeira a moderada.

É mais frequente em crianças com história familiar de asma e rinite alérgicas, podendo representar o início de uma “marcha” que começando na pele atingirá mais tarde o aparelho respiratório.

Quanto mais cedo aparecer e mais grave se apresentar o eczema atópico, maior será a probabilidade de associação com asma no futuro.

Embora com enormes diferenças regionais, a sua frequência quase triplicou em países desenvolvidos nas últimas décadas, incluindo o nosso país.

Presume-se que na sua origem esteja uma combinação de fatores, entre os quais realçamos defeitos na estrutura da pele, como a falta de proteínas (filagrinas) ou a carência de gorduras (ceramidas), que condicionam uma barreira cutânea deficiente, facilitadora da penetração de substâncias e microrganismos externos. Estas alterações conjugam-se com uma desregulação do sistema imunitário, em que este responde desproporcionadamente a uma diversidade de estímulos, promovendo o desencadear de reacções inflamatórias na pele e culminar no aparecimento das manifestações clínicas típicas.

                                    

Clinicamente, caracteriza-se por manchas avermelhadas e/ou com crostas em localizações corporais típicas. Estas localizações, que variam com a idade, ocorrem em pele sempre muito seca e pruriginosa (com comichão). Enquanto nas crianças mais pequenas estas atingem sobretudo a face, nomeadamente as bochechas e a fronte (poupando a pele em redor do nariz) e também as superfícies extensoras (viradas para fora) dos membros, mais tarde vão fixar-se sobretudo nas pregas, incluindo as dobras dos cotovelos, atrás dos joelhos, nos tornozelos e pescoço. Curiosamente, raramente atinge a pele que é coberta pelas fraldas.

 

Estão claramente identificados alguns factores de agravamento do eczema atópico, dos quais salientamos genericamente:

– Roupa constituída por lã e as etiquetas (fibras) do vestuário.

– Os irritantes como detergentes «fortes».

– Exposição ao frio (agravamento no Inverno e no tempo seco) ou calor excessivo (que condicione sudação).

– Infeções bacterianas da pele.

– Picos de tensão emocional

– Alguns alimentos (leite, frutos secos, ovo, marisco, etc.).

– Alergénios respiratórios (gramíneas, ácaros do pó da casa, etc.)

 

Atendendo às causas implicadas no agravamento desta patologia poderá estar indicada a realização de exames a alguns alergénios (produto suscetível da causar alergia) para esclarecimento em situações de não melhoria com o tratamento habitual.

O eczema atópico não é contagioso, nem tem cura (no sentido puro da palavra), no momento actual da medicina, devendo ser encarado como uma doença imprevisível que evolui por surtos ao longo de muito tempo. Contudo, habitualmente é controlável com a aplicação sistemática de medidas preventivas e de cuidados com a pele, necessitando às vezes de tratamentos específicos sob orientação do seu médico assistente.

A manutenção de uma pele saudável, lubrificada e isenta de escoriações, bem como a identificação e eliminação dos factores de agravamento individuais devem constituir um objectivo permanente a atingir.

 

Assim, das medidas preventivas destacamos em particular o uso de roupa interior que não aperte, fabricada exclusivamente em algodão, a eliminação das etiquetas do vestuário e o enxaguamento suplementar da roupa na máquina de lavar.

O ambiente no quarto de dormir deve ser arejado e a uma temperatura que impeça a transpiração excessiva.

O banho pode ser diário, o que ajuda à eliminação de impurezas e agentes irritantes, deve ser rápido (5 minutos) e com água tépida, evitando-se «esfregar» a pele demasiadamente, e ser sucedido de um enxaguamento, e secagem meticulosa das pregas (sem esfregar).

Privilegiamos o uso de géis de banho que não contenham sabão como aqueles actualmente designados por «syndets», pois não retiram a «gordura boa» da pele.

A frequência de piscinas não está interdita, mas deve sempre garantir-se um duche de água corrente após saída e aplicação imediata de um creme hidratante cutâneo.

 

A hidratação cutânea das crianças com eczema atópico é uma necessidade absoluta, na medida em que se restaura a integridade da pele evitando a secura excessiva. Com esta medida diminuímos a comichão e a possibilidade de se desencadear a inflamação.

Assim, aplicar generosamente hidratantes na pele após o banho e reaplicar em áreas críticas ao longo do dia, são medidas que ajudam a diminuir as crises e a manter as crianças confortáveis.

 

As crianças geralmente não apreciam a aplicação de cremes no corpo, pelo que recomendamos aos pais que primeiro aqueçam os cremes nas palmas das suas mãos. Para uma melhor aceitação, brinquem aos jogos de pinturas de Carnaval.

 

No entanto, sempre que ocorram crises de inflamação, que signifiquem a falência das medidas anteriores, fale com o seu pediatra assistente, pois este provavelmente terá de prescrever medicamentos para aplicação na pele, nomeadamente corticóides tópicos eventualmente associados a anti-histamínicos orais, indispensáveis e insubstituíveis no controle da inflamação.

 

Em conclusão, é uma doença do «vai e do vem» em que as famílias devem estar preparadas para uma evolução de melhorias e agravamentos ao longo do tempo que o seu pediatra poderá ajudar a controlar e manter livres de sintomas importantes o maior tempo possível.

 

Paulo Coutinho – Pediatra

Emídio Carreiro – Pediatra

Revisto 01|01|2014

Varicela – doença sem riscos? - 21 Dezembro, 2014

VARICELA – Doença sem Riscos?

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Introdução

A varicela é a infecção que resulta do contacto pela primeira vez de um ser humano susceptível com o vírus varicela zoster (VZV).

A varicela é mito contagiosa.

Após a cura da varicela alguns vírus conseguem sobreviver inativos “escondidos” em raízes nervosas da medula. Estes vírus podem raramente, por vezes muitos anos depois, causar uma doença chamada zona ou herpes zoster numa área regional do corpo com aparecimento dor e vesículas (bolhas com líquido).

A varicela habitualmente é uma doença leve, benigna em crianças saudáveis e que se tem apenas uma vez na vida. Contudo em determinados grupos de risco, que incluem adolescentes e adultos ou pessoas com doenças que «baixem» a imunidade, pode levar a complicações.

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Contágio

O contágio ocorre por inalação de secreções respiratórias (via mais importante) ou contacto com o líquido das vesículas, no período compreendido aproximadamente entre 2 dias antes do aparecimento das lesões cutâneas até ao 5º-7º dias de doença. Demora em média 2 semanas desde o contacto até aparecimento das primeiras vesículas, podendo contudo variar de 10 a 21 dias.

Fig. 4 - Várias fases da erupção

 

Sinais e Sintomas

Clinicamente caracteriza-se por febre e mal-estar e aparecimento rápido de ciclos de múltiplas vesículas que evoluem em 2-3 dias para crostas em todo o corpo, habitualmente acompanhadas de prurido (comichão). Podem atingir o couro cabeludo (ajudando ao diagnóstico nos casos de varicela muito leve, para distinção com picadas de inseto) e na boca manifestarem-se como «aftas».

Se a criança tiver eczema atópico ou estiver a aplicar corticoides na pele, as lesões podem ser em maior número e mais «agressivas».

As principais complicações da varicela são a infecção da pele por bactérias que aproveitam a fragilidade cutânea nas áreas de lesão, levando ao aparecimento de «borbulhas» diferentes das outras, vermelhas, quentes e dolorosas, em crianças com febre alta e prostradas, que devem ser avaliadas rapidamente e tratada pelo seu médico com antibióticos; outra complicação é a pneumonia, que deve ser suspeitada na presença de tosse e febre. A encefalite é uma complicação rara. Além destas complicações não são desprezíveis as cicatrizes que podem ocorrer em locais visíveis do corpo

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Tratamento

O tratamento da varicela poderá incluir o paracetamol para controle da febre (não usar o ibuprofeno), anti-histamínicos orais para diminuição do prurido ou mesmo um medicamento antiviral eficaz contra este vírus (aciclovir), se tomado precocemente (1ºas 24h após o aparecimento das primeiras lesões) em situações particulares de maior risco de complicações.

Em situações de varicela é muito importante saber que está proibida a administração de aspirina ou derivados e deve ser evitado o uso do ibuprofeno.

 

Se uma grávida que já teve varicela contactar com um caso de varicela, como está protegida, não vai contrair a doença e portanto não existem riscos para o feto. Se não souber o seu estado de imunidade para a varicela, deve rapidamente consultar o seu obstetra para esclarecimento da situação por meio de análises de sangue e tratamento adequado (eficaz apenas até às 96h após exposição) em caso de não estar protegida.

A varicela é uma doença prevenível por vacinação que pode ser administrada depois dos12 meses de idade. Esta vacina não faz parte do Plano Nacional de Vacinação, pelo que se assim o desejar, pode solicitar ao seu médico informação e recomendações.

 

Evicção escolar

As crianças e adolescentes com varicela não podem frequentar a escola durante os primeiros 5 dias a contar do aparecimento das lesões cutâneas (normativa portuguesa ainda em vigor). Contudo enquanto tiver vesículas intactas ainda pode ocorrer contágio (6-7 dias).

 

 

Paulo Coutinho – Pediatra

Emídio Carreiro – Pediatra

Última revisão em   14|12|2014

 

 

Importância do pequeno almoço para o sucesso escolar -

IMPORTÂNCIA DO PEQUENO ALMOÇO PARA O SUCESSO ESCOLAR

O pequeno almoço é a primeira refeição do dia e uma das mais importantes! Após um longo de sono sem comer, o pequeno almoço irá permitir que o dia comece com toda a energia necessária para o bom funcionamento do organismo. Esta refeição deverá ser realizada logo nos primeiros trinta minutos após acordar, em casa e em família!

Infelizmente, muitas crianças e adolescentes vão para a creche/jardim de infância, ATL ou escola, sem tomar o pequeno almoço, seja porque “não há tempo”, seja porque “não há apetite”. Mas tudo é uma questão de hábito, aliás, um bom hábito. Sair de casa sem pequeno almoço acarreta múltiplas consequências principalmente para a capacidade de aprendizagem da criança e do adolescente.

A falta de pequeno almoço está intimamente relacionada com diminuição da capacidade de aprendizagem, concentração e memória, aumentando desta forma o insucesso escolar. Fruto da experiência diária, bem como resultados de diversos estudos científicos, sem dúvida que tomar o pequeno almoço todos os dias, melhora a capacidade de concentração e de aprendizagem, a motivação e a velocidade e exatidão de resposta, resultando em melhores resultados nos testes de avaliação e exames!

Para além disso, não tomar o pequeno almoço, é fator de risco para o aumento excessivo de peso/obesidade já que aumenta o apetite para o almoço, leva à sensação de má disposição geral durante a manhã, com dores de cabeça, impaciência, mau humor e agressividade.

Um pequeno almoço saudável, deve ser equilibrado e completo, e tanto quanto possível variado. Deverá incluir alimentos do grupo dos laticínios (leite meio-gordo ou magro, iogurte de aroma ou líquido, queijo curado meio-gordo ou fresco), do grupo dos cereais e derivados (pão de preferência de mistura de cereais e escuro, tostas de pão, cereais de pequeno almoço pouco açucarados), e do grupo da fruta (de preferência fresca e da época, ingerida inteira ou na forma de sumo natural e sem adição de açúcar).

O leite deverá ser simples, ou eventualmente aromatizado com cevada ou canela, preterindo da adição de quaisquer tipos de cacau ou chocolate, e de açúcar. O pão poderá ser comido simples ou com queijo curado ou fresco, pontualmente com margarina vegetal, fiambre de aves, doce de fruta ou marmelada. Pequenos almoços “especiais” com “alimentos especiais”, deverão ficar reservados para dias igualmente especiais! E nunca esquecer: tal como as outras refeições do dia, também o pequeno almoço deve ser igual para todos!

 

Inês Tomada – Nutricionista

Última Revisão em 21|12|2014

Escarlatina -

ESCARLATINA

A escarlatina é uma doença provocada por uma bactéria chamada Estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Esta bactéria é responsável, entre outras possibilidades, por faringites e amigdalites e infecções da pele.

O exantema (pequenas manchinhas vermelhas) que acompanha esta doença é consequência de uma toxina que algumas famílias desta bactéria conseguem excecionalmente produzir tomando assim o nome de escarlatina.

O medo do termo escarlatina é desajustado, pois devemos “olhar“ para ela como uma Faringite/Amigdalite por estreptococo. A orientação no caso de escarlatina, nomeadamente nos infantários e estabelecimentos de ensino, deve ser igual à situação “simples” de faringite/amigdalite estreptocócica, pois até o tratamento e as complicações são iguais. Aliás a referência no decreto-lei que define o período e as doenças de evicção escolar é dada na seguinte versão: «escarlatina e infecções nasais e faríngeas por estreptococo beta -hemolítica A…»

Entre as bactérias é a causa mais comum de infecção faríngea, representando 15-30% nas idades compreendida entre os 5-15 anos. Em crianças com menos de 3 anos é mais rara e as manifestações são mais atípicas.

Embora mais raramente, infecções da pele, nomeadamente perianal, podem estar associadas ao aparecimento de sinais de escarlatina.

 

Contágio

O período de incubação (desde que a criança é contagiada até aparecerem os primeiros sintomas) é de 2 a 5 dias. O contágio ocorre a partir de gotículas respiratórias da criança doente ou eventualmente de um portador saudável (pessoa que transporta na faringe o estreptococo e não está doente).

Como existem 3 toxinas imunologicamente distintas capazes de provocarem exantema, podemos ter até 3 escarlatinas durante a vida, uma vez que ganhamos imunidade contra as toxinas após cada infecção.

 

Sinais e Sintomas

A escarlatina manifesta-se por febre de início brusco, com uma duração de 3 a 5 dias. Á febre associa-se dor de garganta (odinofagia) e aumento/inflamação das amígdalas e gânglios cervicais. O referido exantema surge 12-24 h depois da febre. Este exantema consiste em manchas salientes independentes (sentimos uma rugosidade tipo lixa fina ao passar a mão). Começa na face, pescoço seguindo para o tronco e extremidades, tendendo a acentuar-se nas pregas cutâneas. Nas pregas pode formar uma mancha contínua de pequenas hemorragias que chamamos linhas de Pastia. A língua adquire por vezes um aspeto de morango ou esbranquiçada. Na garganta poderemos observar acumulação de pus. O exantema começa a desaparecer pela ordem com que aparece, de cima para baixo, deixando por vezes um ligeiro descamar. Este exantema dura 3 a 6 dias. Além do anteriormente referido poderemos ter também náuseas, vómitos, cefaleias (dor de cabeça) e dor abdominal.

Algumas das complicações, muito raras atualmente pelo tratamento adequado, são a febre reumática e o atingimento renal (glomerulonefrite pós estreptocócica).

Esta infeção é mais frequente no inverno e primavera.

 

Tratamento

O tratamento da infeção faríngea por estreptococo, sob a forma de faringite/amigdalite quer tenha ou não o exantema, faz-se com um antibiótico que poderá ser injetável (Penicilina) em dose única, ou por via oral (Amoxicilina) que deverá ser administrada durante 10 dias independentemente da rápida evolução favorável que se verifica. A febre pode ser tratada com o paracetamol ou ibuprofeno.

O seu pediatra poderá recomendar a aplicação de cremes hidratantes para ajudar na recuperação da descamação.

 

Prevenção

É aconselhada a lavagem frequente das mãos, principalmente após tossir, expirar ou assoar o nariz.

 

Regresso ao Infantário/Estabelecimento de ensino

Quando desaparecer a febre e com pelo menos 24 horas de tratamento adequado.

 

Terminamos aconselhando a encarar a escarlatina como uma simples faringite/amigdalite.

 

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Paulo Coutinho – Pediatra

Revisão em 21|12|2014

Doença Mão Boca Pé - 30 Novembro, 2014

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DOENÇA “mão-boca-pé”

 

Introdução:

É uma doença benigna de origem vírica, mais frequente em crianças de 1-3 anos de idade, podendo contudo surgir em qualquer idade nomeadamente em adultos. É causada por enterovirus e entre estes mais frequentemente pelo Coxsackie A16 e enterovirus 71.

 

Período de incubação (tempo que decorre entre o contágio e o aparecimento dos sinais/sintomas):

3 a 6 dias.

 

Contágio:

Transmite-se entre pessoas por contacto direto, por fezes, secreções nasais e saliva.

 

Sintomas:

Esta doença é acompanhada de febre, diminuição do apetite, cefaleias e carateristicamente por pequenas lesões (2-7 mm em média) que atingem as mãos, pés, nádegas, periorais e mucosa da boca. Não causa prurido. As lesões são maculopapulosas e vesículas (líquido no interior). Esta situação acompanha-se de aumento da salivação e dor ao deglutir, conduzindo a recusa alimentar. A doença resolve-se em 5-10 dias. Geralmente não deixa sequelas. Uma manifestação tardia pode ser o desprendimento e posterior queda das unhas (indolor), ou aparecimento de sulcos transversais (linhas de Beau) amarelados nas unhas.

A doença pode ocorrer várias vezes pois são vários os vírus que podem provocar esta doença.

 

Prevenção:

A lavagem das mãos é uma medida importante, principalmente depois da muda da fralda ou contacto com secreções orais ou nasais e lavar/desinfetar as superfícies contaminadas. Nos primeiros dias de doença é aconselhável não frequentar o infantário, se tiver febre e se as lesões orais impedem uma normal alimentação. É frequente a infeção assintomática, assim como a transmissão algumas semanas após doença “visível”, pelo que a evicção escolar não é garantia de quebrar o ciclo de propagação da infeção

 

Tratamento:

Esta doença não tem tratamento específico. Pode ser administrado o paracetamol ou ibuprofeno quer para a febre ou dores. Dar alimentos líquidos ou moles, frios ou à temperatura ambiente. Evitar citrinos, salgados ou picantes.

 

Emídio Carreiro

Revisto em 23-11-2014 014

Bronquiolite -

BRONQUIOLITE

A bronquiolite é uma infeção respiratória causada por vírus, ocorrendo em crianças com menos de 2 anos. Os vírus causam inflamação das vias aéreas mais pequenas que levam o ar aos pulmões (bronquíolos) e que sendo de baixo calibre ficam bloqueados mais facilmente nas crianças pequenas. Esta inflamação causa obstrução parcial ou completa de alguns bronquíolos, levando a uma entrada menor de ar nos pulmões e consequentemente menos oxigénio no sangue. Na passagem de ar durante a expiração, esta obstrução causa uns sons chamados sibilos.

O vírus que mais frequentemente causa a bronquiolite é o Virus Sincicial Respiratório (VSR). A bronquiolite é mais frequente a partir de Novembro até Março, com o pico nos meses de Janeiro e Fevereiro.

A grande maioria das crianças com bronquiolite tem uma doença leve que não requer internamento, nem medidas excecionais.

 

CONTÁGIO

O contágio pode ocorrer por gotículas respiratórias. Estas gotículas podem ser transportadas pelas mãos a partir das referidas gotículas (tosse/espirro) ou objetos contaminados (chupetas, brinquedos.) e que ao tocar nos olhos, nariz ou boca, podem conduzir à infeção. As crianças com bronquiolite deverão ser afastadas de outras crianças ou indivíduos suscetíveis de infeções graves, até os sibilos e a febre desaparecerem.

A lavagem frequente das mãos é uma medida preventiva de grande valor.

Infelizmente, atualmente não existe vacina disponível para prevenir a bronquiolite.

 

SINTOMAS

A bronquiolite habitualmente surge após 2 a 3 dias de sinais de “constipação” como sejam a congestão nasal, rinorreia, tosse, diminuição do apetite e febre. Depois destes dias a inflamação das vias aéreas mais pequenas leva a um aumento da frequência respiratória, podendo-se notar bem as costelas, movimentando-se mais o abdómem com a respiração e começando a notar-se os sibilos. A tosse agrava-se mantendo-se frequentemente durante 2 semanas ou mais. Dificuldade alimentar é outra das manifestações pela dificuldade em respirar e comer ao mesmo tempo em consequência da congestão/obstrução nasal e do cansaço. Com as secreções e tosse podem ocorrer vómitos ou engasgamento. Apneias (pausas respiratórias superiores a 15-20 segundos) podem ocorrer mais frequentemente em crianças prematuras ou menos de 2 meses de idade.

As crianças que façam apneias, com “abanar” das asas do nariz (adejo nasal-abrindo as fossas nasais), apresentem gemido, respiração” muito trabalhosa”, retração costal (a pele retrai-se entre as costelas), fiquem muito agitadas ou muito sonolentas, com cor azulada nos lábios, unhas, ou orelhas (cianose) espontaneamente ou com a tosse e vómitos (contínuos), devem ser observadas com urgência/emergência e em serviços de urgência que possam disponibilizar o tratamento adequado.

A doença dura cerca de 7 a 14 dias, podendo em alguns casos persistir muitos mais dias.

As bronquites não são habitualmente filhas únicas, podendo-se esperar repetição de episódios semelhantes nos meses seguintes, o que poderá ser alvo de intervenção pelo seu pediatra, pois são vários os vírus que as podem causar.

 

TRATAMENTO

O tratamento desta situação é essencialmente sintomático.

Se notar agravamento ou surgirem (precocemente) algum dos sinais descritos como de alarme deverá recorrer (com emergência) à observação médica em contexto de urgência.

A febre é controlada com antipiréticos – paracetamol e eventualmente ibuprofeno e medidas gerais como retirar alguma roupa e eventualmente a fralda que aquece e cobre grande parte do corpo nos primeiros meses de vida.

A aplicação de soro fisiológico ou spray nasal de solução salina (vulgar “água do mar”), com posterior aspiração, é importante na obstrução nasal, pois a criança pequena respira essencialmente pelo nariz.

A Insistência com líquidos em pequenas doses frequentes e fracionar as refeições (menos quantidades mas com mais frequência) podem ajudar.

Elevar a cabeceira da cama ajuda a respirar melhor.

Devem-se evitar “xaropes para a tosse” nestas situações. A tosse é um mecanismo que o organismo usa para “limpeza”. Nestas situações, a inibição da tosse poderá agravar o quadro clínico.

Os antibióticos só terão utilidade em situações em que a bronquiolite (habitualmente de origem vírica) seja complicada por uma infeção bacteriana.

A utilização de outras orientações terapêuticas incluindo medicamentos que possam abrir os bronquíolos apertados por meio de nebulização ou gotas de corticoide oral, poderá ser adotada pelo seu pediatra se assim o julgar adequado, pois a maioria não tem eficácia demonstrada. Algumas crianças poderão necessitar de internamento para monitorização dos sinais vitais e administração de terapêutica, nomeadamente oxigénio e soros intravenosos.

Não é uma situação de rápida resolução, pelo que um dos aspetos cruciais do tratamento é a manutenção de calma e compreensão da evolução desta doença.

Na presença de dúvidas sobre a bronquiolite, preocupação ou incapacidade de avaliar a gravidade/agravamento, deverá procurar ajuda junto do seu pediatra ou recorrendo rapidamente a um serviço de urgência, tendo contudo presente que raramente estas situações são emergentes.

 

Nota: Estas informações não substituem o aconselhamento médico, que deve procurar em qualquer situação de dúvida.

 

Emídio Carreiro – Pediatra

Paulo Coutinho – Pediatra

 

Revisto em 30|11|2014

 

Leite Materno: O melhor alimento para o seu bebé - 11 Novembro, 2014

O leite materno é o alimento mais adequado às necessidades energéticas, nutricionais e hídricas do recém-nascido e do pequeno lactente, responsável pela promoção de um crescimento e desenvolvimento harmoniosos. Por estes motivos, a Organização Mundial de Saúde e a Sociedade Europeia de Gastrenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica, recomendam e incentivam o aleitamento materno em exclusivo durante os primeiros 6 meses de vida, altura a partir da qual, está indicada a introdução de alimentos complementares semi-sólidos e sólidos, dada a incapacidade do leite materno em exclusivo suprir todas as necessidades nutricionais da criança a partir do 2º semestre de vida. No entanto, o aleitamento materno deverá ser mantido em associação à introdução de alimentos na alimentação do lactente até pelo menos a criança completar 1 ano de vida.

O leite materno é um alimento natural, nutricionalmente completo e de grande complexidade biológica. É efetivamente o melhor alimento para o recém-nascido e lactente, não só pelas suas vantagens nutricionais (composição adequada, melhor digestibilidade e melhor biodisponibilidade dos nutrientes), mas também pela presença de substâncias protetoras, que promovem um melhor desenvolvimento cognitivo, menor incidência e/ou gravidade de infeções de foro gastrintestinal, respiratório e urinário, assim como uma melhor resposta à vacinação. Mas o leite materno é muito mais do que um alimento! A amamentação ao peito não só é um ato de comunicação do bebé, que lhe confere grande estabilidade emocional, como também é considerado um pré-requisito para a alimentação no futuro, já que lhe são reconhecidas propriedades na regulação dos mecanismos de apetite e saciedade.

O aleitamento materno também tem vantagens para a mamã. A prática do aleitamento materno promove uma recuperação adequada do peso corporal da mamã ganho durante a gravidez, mas também contribui para uma menor incidência de algumas doenças no futuro, de que são exemplo o cancro da mama e do ovário. A ligação emocional mãe-filho estabelecida durante a amamentação relaciona-se com uma menor incidência de depressão pós-parto, já que aumenta o bem-estar e a confiança da mulher. Para além de promover uma melhoria da qualidade de vida da mamã, o aleitamento materno permite poupar tempo e recursos: é barato, prático e conveniente, não requer preparação nem aquecimento!

Infelizmente, muitas mamãs deixam de amamentar não só devido ao regresso ao trabalho, mas também na sequência de inúmeras dúvidas que geram insegurança, entre elas o receio do seu leite não ser suficientemente bom para alimentar o seu filho. Apesar da sucção ser um ato reflexo do recém-nascido, o sucesso do aleitamento materno depende em grande parte do apoio, orientações e esclarecimentos recebidos pelas futuras mamãs durante a gestação e enquanto amamenta. É de extrema importância a lactante receber informações claras, precisas, com base científica, sobre o aleitamento materno e possíveis dificuldades em amamentar (ex. ingurgitação mamária, diminuição da produção de leite, mastite, etc.).

Por último, salienta-se que até o bebé completar 1 ano de vida, não deverá ser introduzido leite de vaca em natureza, quer por razões fisiológicas quer por razões nutricionais.

Inês Tomada

Última revisão em 11-11-2014

Bruxismo - 2 Novembro, 2014

BRUXISMO

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O bruxismo consiste no ato de ranger ou apertar os dentes. Esta situação, principalmente o ranger de dentes, ocorrem mais frequentemente durante a noite, podendo contudo estar presente durante o período diurno e com a criança acordada.

Esta situação ocorre em 15-24% das crianças e 8-10% de adultos. Mais frequente em lactentes e pré-escolares diminuindo muito a partir dos 10 anos de idade

Algumas das causas de bruxismo podem ser o stress, ansiedade, situações de ira contida, dores de ouvidos ou dentes e situações anatómicas de desalinhamento dos dentes.

O bruxismo manifesta-se, para além do som no caso do ranger de dentes, por vários sintomas que poderão estar isolados ou associados, como sejam: desgaste de dentes, lesão das gengivas, fratura de dentes, ansiedade, stress/tensão, dor de ouvidos, sensibilidade dentária para o frio ou quente principalmente ao acordar, artrite têmpora-mandibular (articulação da mandíbula), dor muscular dos músculos da face e também cefaleias matinais. Outra queixa frequente surge pelos “vizinhos” do quarto da criança pelo grande incómodo que o som provoca.

protetor-em-imagem-pequenaO tratamento na criança é pouco eficaz. Nos adultos poderá ser colocada uma proteção dentária (goteira), assim como recorrer ao tratamento dentário dos desalinhamentos eventualmente presentes. Poderá em alguns casos ser necessário recorrer a relaxantes musculares ou ansiolíticos.

Estes tratamentos na criança pequena não se aplicam, devendo ser evitadas situações de stress, ansiedade ou excitação ao deitar. Hidratar bem, para evitar secura da boca que irá estimular o bruxismo. A visita ao dentista, preferentemente ao odontopediatra poderá estar indicada em algumas idades.

 

Emídio Carreiro

Última revisão em 11-11-2014

 

Pediculose – Piolhos - 4 Outubro, 2014

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                                        Pediculose – Piolhos

INTRODUÇÃO

 

O piolho é um inseto que parasita exclusivamente o ser humano. Os piolhos (Pediculus) podem infestar várias partes do corpo. São insetos que se alimentam do sangue humano que chupam ao picar a pele do hospedeiro.

Variedade de piolhoLocal de infestação
Pediculus humanus capitistCouro cabeludo
Pediculus humanus corporisPele do corpo
Phthirus pubis Pelo púbico e sobrancelhas

De acordo com o local de infestação tem implicações terapêuticas diferentes, podendo mesmo levantar algumas questões de abusos sexuais (alertar…) se encontrarmos em crianças Pthirus pubis nas sobrancelhas.

O Pediculus humanus capitis infesta o cabelo e o couro cabeludo. É encontrado em todo o mundo e ocorre em todas as pessoas independentemente das condições socioeconómicas. As crianças são afetadas mais frequentemente que os adultos.

O piolho tem 3 pares de patas e possui na sua superfície corporal umas formações que lhe permitem a obtenção de oxigénio e humidade. Vive em média 1 mês

Os rapazes são menos suscetíveis do que as raparigas. Os negros são afetados menos frequentemente, colocando-se a hipótese de uma menos adesividade ao cabelo.

 

MITOS

O sangue de algumas pessoas cria piolhos – Falso. O sangue não cria, antes alimenta os piolhos que infestam as cabeças, independentemente do tipo de sangue.

Os Piolhos saltam de uma cabeça para outra – Falso. Os piolhos não saltam.

Os piolhos foram transmitidos pelos cães/gatos – Falso. Os animais não transportam os piolhos.

Os Piolhos voam de uma cabeça para outra – Falso. Os piolhos não voam

 

TRANSMISSÃO

Os piolhos transmitem-se de umas pessoas a outras através do contacto direto entre cabeças. Este aspeto explica a maior frequência da pediculose em determinadas idades, de acordo com o tipo de brincadeiras em cada idade e das épocas do ano que conduzem a um contacto mais frequente. Também é aceite pela maioria dos estudos, que possam ser transmitidos por objetos que “saem” de uma cabeça e tocam noutra cabeça, nomeadamente pentes, secadores de cabelo, toalhas, gorros, roupas de cama, etc..
VIDA DO PIOLHO

O piolho cresce rapidamente na cabeça do seu hospedeiro. É um inseto cinza de 2 a 4 mm de comprimento. A fêmea é ligeiramente mais comprida. Tem uma boca adaptada para chupar o sangue e umas pernas preparadas para se agarrarem bem ao cabelo (venha o vento que não os leva….).

Cada piolho fêmea põe 6 a 10 ovos/dia.

Os ovos – LENDEAS- ficam bem presas no cabelo bem junto ao couro cabeludo. Estas lêndeas podem ser confundidas com a caspa. A caspa solta-se facilmente mas a lêndea não (ver tratamento).

Ao fim de 8 dias, das lêndeas eclode o piolho.

Ao fim de 8 dias este piolho (pintainho) fica adulto e assim inicia novo ciclo.

Sobrevive até 40-50 h fora do couro cabeludo, mas após cerca de 20 h já tem pouca probabilidade de sobreviver, mesmo que surjam as condições ideais.

Se o cabelo crescer cerca de 1 cm/mês, a partir da localização da lêndea no cabelo possibilita-nos ter a ideia de há quanto tempo a criança tem piolhos.

 

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Podem ocorrer infestações assintomáticas durante algum tempo.

A manifestação mais frequente e que nos deve alertar é o prurido. Este prurido leva à coceira que vai ocorrer no couro cabeludo, parte posterior do pescoço e orelhas. Nódulos occipitais podem ocorrer em consequência da picada e da coceira, assim como feridas. Estas feridas podem infetar secundariamente com consequente agravamento, chegando mesmo a causar infeções com febre por infeção secundária devido a bactérias.

 

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é feito quando visualizamos os piolhos.

Associando a inspeção do cabelo ao uso de pente com dentes separados por 0,2 mm (os piolhos medem 2-4mm) o diagnóstico é mais fácil. Usando estes pentes e penteando sobre uma toalha branca identificamos mais facilmente a infestação pela presença dos piolhos no pente ou a caírem na toalha.

O pentear pode ser a seco ou molhado. Começando com o pente bem junto do couro cabeludo e em madeixas sucessivas de modo a pentear todo o cabelo 2 vezes.

As lêndeas podem persistir meses depois do tratamento sem infeção presente.

 

TRATAMENTO

O tratamento pode ser manual, com procura sucessiva dos piolhos e a sua eliminação física (ver doagnóstico). Nos primeiros 3 meses de vida é o procedimento indicado. A partir desta idade continua a ser uma forma adequada, podendo contudo associar-se a aplicação tópica de produtos. A remoção das lêndeas não é fácil devido á sua forte adesividade. Para melhor “soltar” o cimento que as prende ao cabelo poderemos usar uma solução com uma parte de água e uma parte de vinagre (vulgar) e embebendo uma toalha que se aplica na cabeça durante 30 minutos.

Outra forma de tratamento é o uso de cremes e loções sem inseticida químico. Esta forma de tratamento muito usada, atua sufocando o piolho e impedindo a troca de água (Itax, Pára Pio, Lipuk, Paranix…). É importante seguir todas as recomendações incluídas na embalagem do produto.

O uso de produtos químicos/insecticidas na cabeça constitui uma forma eficaz de tratamento, representando em minha opinião a primeira linha de tratamento.

Entre os vários antiparasitários os mais utilizados são os derivados dos piretroides e dentro destes a permetrina a 1% nas diferentes formas de creme, loção ou champô. A permetrina a 1% pode ser usada a partir dos 3 meses, apesar de nos primeiros 6 meses ser mais adequado o método manual.

Começamos a verificar alguma resistência a diversos fármacos o que por vezes dificulta a eliminação dos piolhos e a escolha que se poderá fazer entre os vários agentes possíveis.

A permetrina a 1% é o que pode ser usado em idades mais precoces, como anteriormente referido a partir dos 3 meses. Poderemos ter que recorrer a outros agente e nomeadamente a medicação oral e em alguns casos com associação de vários produtos.

A aplicação da permetrina deve seguir as indicações da embalagem ou do pediatra. Em termos genéricos a aplicação do antiparasitário deve ser colocado no cabelo seco, deixando atuar por 10 minutos, com lavagem ao fim deste tempo. Deve evitar o contacto com os olhos, nariz ou boca. Despois disto deverá ser usado o método manual anteriormente descrito. O tratamento deve ser repetido 8-10 dias, para eliminar os piolhos que tenham saído das lêndeas.

Outras medidas adjuvantes será a lavagem das roupas usadas nas últimas 24/48h, incluindo as da cama, com água quente a uma temperatura superior a 60º. As roupas que não possam ser lavadas com água quente poderão ser introduzidas dentro de um saco plástico durante 2 semanas, para eliminar os piolhos adultos e os piolhos resultantes da eclosão das lêndeas (ver ciclo de vida do piolho em cima). Os pentes e escovas devem igualmente ser mergulhadas em água quente durante 10 minutos. A aspiração do quarto no dia em que se muda a roupa da cama e faz o tratamento é também recomendável. Não se deve usar acondicionador de cabelo antes da aplicação do produto pois pode impedir a adesividade do medicamento ao piolho

Não usar o mesmo produto mais de 2-3 vezes se não observamos resultados

 

PREVENÇÃO

As medidas preventivas possíveis são o tratamento de todos os casos para evitar contactos. Não devem ser usados produtos para “prevenir” o aparecimento de piolhos. Colocar spray pela habitação também não é indicado. Os contactos em casa devem ser todos examinados e tratados se estiverem enfestados. Indivíduos que durmam na mesma cama devem ser “tratados” no mesmo dia.

Evitar a troca de roupas na escola, principalmente os gorros. Não partilhar pentes.

 

REGRESSO Á ESCOLA

As lêndeas podem ser encontradas semanas depois sem contudo desenvolverem infeção. A criança com pediculose não necessita ser excluída da escola. O que deve ser feito é o tratamento adequado logo que se detete, voltando á escola, não sendo necessário esperar até desaparecerem as lêndeas

 

Emídio Carreiro

Última revisão em 11-11-2014